De volta
Depois de muito tempo sem postar nada resolvi retomar o blog. Quando comecei pensei em deixá-lo fora do cenário político, mas hoje vejo que isso é muito difícil, pelo menos para mim. Lá no início não quis dar nenhum formato específico a este espaço. A idéia era mesmo de uma revista eletrônica, onde fosse possível ler algo diferente do que normalmente é publicado na internet. Assim continuará, claro, mas não há como deixar a política de fora. Somos seres políticos por natureza, embora alguns afirmem que “odeiam”. É o mesmo que aquele sujeito que diz que é ateu… “graças a Deus”.
Percebi pelas estatísticas do site que ele continuou sendo visitado durante o enorme tempo de ausência. Alguns certamente vieram por engano. Outros, tenho certeza, são antigos companheiros. Nesse tempo em que estive afastado aconteceu muita coisa. Novos instrumentos de comunicação na internet, uma reforma ortográfica da língua portuguesa e uma crise mundial, por exemplo. O próprio Word Press mudou e melhorou, com novas ferramentas que facilitaram ainda mais. Vou ter que me adaptar a tantas mudanças. Enquanto isso vou pensando em outras coisas para postar aqui.
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Sem reposta
Veículos de comunicação como o G1 e a Folha de São Paulo deram destaque à notícia sobre o possível bloqueio ao WordPress. O advogado Gustavo D´Andrea faz, em seu blog, uma excelente análise do assunto que está movimentando outros juristas. É preciso esclarecer que a ordem para o bloqueio é da Justiça, despachada pelo juiz da 31ª Vara Cível de São Paulo, e não de nenhum governo, como muitos bloqueiros e leitores atribuem. Ela tem origem em uma ação que corre em “segredo de justiça” e sobre a qual não existe qualquer informação. Entretanto, foi determinado o bloqueio de apenas um site. Quem informa a necessidade de bloquear todo o portal é a Abranet – Associação Brasileira de Provedores de Internet.
Os advogados podem explicar melhor essa questão do “segredo de justiça”, mas o Código de Processo Civil, em seu art. 155, me parece bem claro:
Art. 155 - Os atos processuais são públicos. Correm, todavia, em segredo de justiça os processos:
I - em que o exigir o interesse público;
(…)
II - que dizem respeito a casamento , filiação, separação dos cônjuges, conversão desta em divórcio, alimentos e guarda de menores. (…)
Parágrafo único – O direito de consultar os autos e de pedir certidões de suas atos é restrito às partes e a seus procuradores. (…).
SEM RESPALDO TÉCNICO
A alegação da Abranet é muito estranha. Como usuário com conhecimento médio em relação às possibilidades de um computador, sou capaz de bloquear, por exemplo, sites e blogs cujo conteúdo não me interessa. Se eu consigo bloquear ou permitir o acesso, bastando digitar algumas palavras-chave e em alguns casos de permissão, informando o endereço, como os provedores brasileiros não poderiam boquear apenas um blog? Venho me perguntando isso desde que vi a notícia.
Como não sou especialista no assunto consultei um amigo, que por sinal tem uma empresa que provê acesso à internet. Perguntei sobre a possibilidade de bloquear a transferência de dados de um único blog, o que segundo ele é perfeitamente possível, desde que os provedores tenham conhecimento do endereço em questão. E exemplifica: “existem empresas que restringem o acesso a determinadas páginas na internet. Isso pode ser feito tanto com o uso de palavras-chave, como também pelo bloqueio total ou parcial de um endereço na Web. Sei de empresas que bloquearam o acesso de seus computadores a chats, a páginas de conteúdo pornográfico, ao Orkut e até mesmo ao MSN”, afirma.
RESPONSABILIDADE
Uma questão que precisa ser analisada é o conteúdo do tal blog, razão desta celeuma. Como não temos a menor idéia do que seja, as ilações são muitas, mas em geral caem no mesmo ponto: alguém sentiu-se atingido em sua moral pública e apelou para a Justiça. Este fato deveria levantar uma discussão quanto ao conteúdo de alguns blogs e sites. Há quem não se furte em ofender de maneira injusta e descarada. Quem tiver um pouco de curiosidade pode percorrer blogs, sites e perfis no Orkut e não será difícil encontrar citações ofensivas a pessoas desconhecidas, políticos e personalidades.
Em um mundo que se diz democrático, liberdade de expressão é fundamental. Entretanto, a democracia pressupõe o entendimento de que é, também, uma via de duas mãos. Um ditado popular cai bem nessa hora: “o direito de um termina quando começa o do outro”.
O fato de alguém possuir um blog não lhe dá credenciais para atingir a moral de quem quer que seja. A crítica, muitas vezes mordaz, que se faz aos políticos é salutar, mas ofender, atingir a honra e a moral e caluniar são práticas condenáveis, quer seja no mundo real, quer seja no virtual.
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Blogueiros, jornais, revistas, leitores e boa parte da comunidade ligada à internet está repudiando a ameaça de bloqueio ao portal WordPress, que no Brasil abriga mais de um milhão de blogs, com cerca de 120 mil posts por dia. A ameaça parte de uma decisão judicial que determina a suspensão de um único blog. Entretanto, a Associação Brasileira de Provedores de Internet – Abranet, alega que não existe como bloquear o acesso a um blog específico. Ela informa que por necessidade de cumprir a decisão judicial, está encaminhando uma recomendação a todos os provedores, para que estes bloqueiem o acesso ao WordPress.
Por ser absurda, a decisão vem causando movimentação em toda a comunidade ligada à internet no Brasil. No portal G1 (veja a matéria), do sistema Globo.com, ganharam repercussão as manifestações contrárias e os protestos de leitores e blogueiros, inclusive do blog criado para protestar contra a ameaça. O Não ao bloqueio do WordPress no Brasil criou o selo que está na abertura desse post e que será repetido em todos os demais, neste Blog, até que a ameaça cesse. O assunto também já chegou ao Orkut e ganhou uma comunidade que já conta com mais de 50 participantes. Rapidamente surgiram na internet mais de 280 mil citações relacionadas com o caso.
A falta de informações precisas a respeito do que vem ocorrendo dominou o cenário virtual. Nenhuma das matérias veiculadas até o momento esclarece o que levou a Justiça a determinar o bloqueio do blog em questão. As especulações são muitas, como sempre, mas nada em definitivo. Não se sabe qual blog originou tudo isso e muito menos a ação judicial que desencadeou a decisão que cheira a mofo.
Todos os internautas podem fazer parte da campanha contra o bloqueio do WordPress. Independente das razões que resultaram na ação judicial, bloquear todo um portal e o acesso a mais de um milhão de blogs brasileiros – independente do conteúdo de cada um deles, é no mínimo, uma saída absurda. Cabe à Justiça e à Abranet encontrarem uma solução junto com a administração do portal, que poderia, por exemplo, suspender ou retirar o blog do ar. Contudo, a explicação da Associação, sobre a impossibilidade de suspender o acesso a um único blog, não convence a muitos internautas.
Gostaria de iniciar uma lista eletrônica de assinaturas contra essa decisão, mas não sei como isso poderia ser feito. Se alguém tiver alguma idéia, será bem vinda.
Se quiser fazer parte da campanha contra o não bloqueio do WordPress, pode baixar os ícones no blog Não ao bloqueio do WordPress no Brasil, ou simplesmente clicar com o botão da direita do seu mouse sobre os que foram inseridos no texto e em seguida em “salvar como” em seu computador. Depois é só inserí-los em sua página ou blog.
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Uma decisão da Justiça brasileira pode suspender o acesso ao WordPress. A notícia veiculada pelo Globo on line dá conta de uma ação judicial pedindo a suspensão de acesso a um único blog, mas não informa qual. Atualmente o WordPress hospeda mais de 2,8 milhões de blogs do mundo inteiro, sendo que só do Brasil a estimativa é que sejam mais de um milhão. Diariamente são mais de 100 mil posts.
Segundo a Associação Brasileira de Provedores de Internet – Abranet, não há como suspender o acesso a um só blog e com isso ocorreria o mesmo que aconteceu no caso envolvendo Daniella Cicarelli, flagrada em cenas tórridas com o namorado em uma praia, cujo vídeo foi parar no YouTube. O portal que abriga vídeos ficou um dia inteiro fora do ar, em 2007.
No site no G1, aonde está a notícia a respeito do possível bloqueio do WordPress, constam diversos comentários, a maioria denunciando o cerceamento da liberdade de expressão. Alguns consideram o bloqueio um “ataque à democracia e à liberdade” dos blogueiros. Com certeza é mesmo, mas como tudo, não se pode generalizar. Se o blogueiro tem o direito de transmitir informações e emitir opinião, cabe a ele garantir o direito de resposta em situações polêmicas, acusações, divulgação de fotos e informações.
Não sei o conteúdo do tal blog que originou a ação e muito menos quem é o autor, mas o momento parece oportuno para colocar em discussão a responsabilidade de quem se dispõe a utilizar esse espaço. Nem sempre o blog é assinado por alguém que se identifica, como eu e outros blogueiros. Muitos criam fakes ou personagens e dificilmente terão suas identidades reveladas. Outros até assinam seus blogs com os nomes verdadeiros, mas utilizam o espaço para atacar pessoas ou defender intersses pessoais, digamos, “menos nobres”.
Há muito tempo a responsabilidade dos blogueiros entrou em pauta. Como jornalista entendo que este é um veículo de comunicação, à medida que são transmitidas informações e por seu conteúdo poderá contribuir na formação da opinião pública. Independente do número de acessos de cada blog, com certeza ele pode influenciar pessoas. Assim, a responsabilidade em relação à divulgação de informações tem que ser a mesma de quem produz uma matéria para um jornal, rádio, televisão ou site.
Ao mesmo tempo existem questões que precisam de atenção, como os direitos autorais. Fotografias, vídeos e textos possuem patente intelectual e autoral. O uso de imagens de “outrem” é comum, porém é necessário que no mínimo seja indicado o autor ou o veículo. Aqui mesmo são usadas fotografias e eventualmente textos, que não são de minha autoria, de amigos ou colaboradores. Pouco usei minhas próprias fotos, sendo a maioria delas colhidas na internet, em sites onde constam como “imagens free“, ou seja, livres de direitos autorais. Todas as imagens e textos cuja identidade do responsável está registrada, recebem o crédito devido.
Tentativa de proibição de blog não é nenhuma novidade. Há diversas ações na Justiça pedindo indenizações por calúnia, injúria e difamação; por ataques pessoais, atentados à honra e à moral de pessoas, grupos sociais, políticos e religiosos. Os portais se eximem da responsabilidade quando o blogueiro aceita os “termos de uso” onde é informado, em outras palavras, que “o portal não se responsabiliza por crimes cometidos pelos usuários”. Fica claro que não são permitidas a pedofilia, incitar, incentivar ou propagar atos criminosos e divulgar mensagens de cunho ofensivo ou segregacionista, dentre outras restrições. Sites e blogs de conteúdo pornográfico devem conter avisos de que são “proibidos para maiores de 18 anos”.
Se consiste “atentado à democracia e à liberdade de expressão” a proibição ou restrição de acesso a um portal inteiro como o WordPress, deve também haver responsabilidade de quem publica qualquer coisa na internet, hoje uma forma de comunicação usada em praticamente todo o mundo. Só no Brasil há 17 milhões de pessoas com acesso e cerca de 14 milhões de usuários em computadores pessoais, além de um mercado que cresce cerca de 12% ao ano, tornando-se cada vez mais universal.
Em que pese o motivo da ação, espero que o acesso ao WordPress não seja bloqueado totalmente e que se encontre uma solução para o caso. Ao mesmo tempo, creio que devemos discutir a responsabilidade, civil e criminal de determinadas publicações, especialmente no que diz respeito à possibilidade de ataques à individualidade de qualquer um e o inalienável e constitucional direito de defesa, em qualquer circunstância. Só assim estaremos sendo verdadeiramente democráticos, justos e permitindo a todos, indistintamente, acesso à informação. Afinal de contas, democracia é uma via de duas mãos.
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O cerco se fecha
A Polícia Federal desmontou hoje um esquema de corrupção, tráfico de influência e fraudes em licitações nos Estados de Minas Gerais e Bahia e no Distrito Federal. A operação, batizada de “Pasárgada”, prendeu um juíz e servidores da Justiça, prefeitos, procuradores municipais, assessores, lobistas e advogados, envolvidos no esquema de liberação irregular de verbas do FPM – Fundo de Participação dos Municípios (saiba o que é o FPM clicando aqui e aqui, ou consulte aqui), com prejuízos para os cofres públicos que podem ultrapassar R$ 200 milhões.
Iniciada há oito meses, a investigação revelou que partindo de decisões judiciais negociadas, a verba federal era repassada aos municípios em débito com o INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social. Segundo a Polícia Federal, “ficou evidenciado no curso das investigações que os prefeitos contratavam, sem licitação, um escritório de advocacia, supostamente de um lobista, que oferecia vantagens indevidas a juízes e servidores da Justiça para obter decisões favoráveis e posteriormente repartia os honorários com os prefeitos”.
Foram mobilizados 500 policiais federais para cumprir 100 mandados de busca e apreensão e outros 50 mandados de prisão em Minas Gerais, na Bahia e no Distrito Federal. Além de policiais, compõem as equipes 23 analistas de finanças e controle da Controladoria Geral da União. Os nomes dos presos não serão divulgados por determinação da Justiça. Estão presos os prefeitos de Almenara, Cachoeira da Prata, Conselheiro Lafaiete, Divinópolis, Ervalha, Juiz de Fora, Minas Nova, Medina e Rubim, Salto da Divisa, e Timóteo, em Minas e de Itabela e Sobradinho, na Bahia. A cidade do 14º prefeito preso não foi divulgado.
Os investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, exploração de prestígio, fraude em licitação, quebra de sigilo de dados e lavagem de dinheiro, com penas que, somadas, podem chegar a 20 anos de prisão, além de sonegação fiscal a ser apurada pela Receita Federal.
DEFESA
Presos na operação “Pasárgada”, os prefeitos deram sua versão. A maioria afirma que não existem irregularidades nas contratações e que todos os processos foram autorizados pela Justiça Federal. A assessoria do prefeito de Juiz de Fora informou que no final do dia divulgará uma “nota oficial”. Em Divinópolis, a assessoria informou que às 14h haverá uma entrevista coletiva. O secretário de Imprensa de Conselheiro Lafaiete, Diarlhes Pider, informou que “o prefeito está tranqüilo”.
Em Cachoeira da Prata, não havia ninguém na assessoria de imprensa nem no gabinete do prefeito. Já a assessoria de imprensa de Timóteo (MG) afirmou que, como a investigação corre em sigilo, “não há nada a declarar”, mas prometeu uma “nota oficial” sobre o caso. A Prefeitura de Itabela (BA) informou que não havia ninguém para comentar a prisão do prefeito, pois não havia “confirmação” sobre o caso, mas os secretários se reuniriam para discutir o assunto.
(Colaboração: Comunicação Social SR/DPF/MG)
Foto: Revista Época
Veja os entes federativos – estados e municípios – bloqueados, clicando aqui.
Site da Polícia Federal: www.dpf.gov.br.
Acompanhe também pela Folha de São Paulo e pelo site G1, com imagens de prisões.
A revista Época publicou em março um estudo a respeito da corrupção no Brasil. Veja aqui.
Veja o que era e aonde ficava Pasárgada.
Leia a poesia “Vou-me embora pra Prasárgada”, de Manuel Bandeira e conheça um pouco sobre o poeta.
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Cinco perguntas para…
Luiz Santoro é o que se pode chamar de polivalente. Além de professor de Química é jornalista, mas desempenhou múltiplas atividades: diretor e dono de colégio, apresentador de telejornal, dono de produtora, marketeiro de vitoriosas campanhas políticas – bem antes de existir Marcos Valério e quando isso ainda era uma coisa séria, e diretor de Universidade, só para citar algumas. Sempre com um projeto, sempre realizando alguma coisa a mais, com uma idéia nova e extremamente ligado à família, como todo bom italiano, é o tipo que se pode dizer, que anda de bem com vida. Eventualmente fica zangado ou indignado, especialmente com alguma injustiça. De mau humor, nunca.
Aliás, Santoro é daqueles que possuem uma característica muito interessante: consegue transformar em engraçados aqueles momentos teoricamente desfavoráveis. Certa vez, quando esperava para receber o pagamento de um cliente, visivelmente irritado com o atraso de dois ou três meses, soltou uma: “se esse cara não me pagar hoje, no próximo comercial com ele vou colocar umas barras na tela que vai parecer que está preso. Depois que se explique com quem tiver que se explicar”. Quando ouviu do mesmo cliente uma reclamação de que “a imagem estava desgastada porque vinha aparecendo demais na mídia” respondeu de bate-pronto: “claro, o comercial tem 30 segundos e você quer aparecer por meia hora”.
Lógico que a ética, patente em seu trabalho, jamais permitiria inserir na tela as tais “barras”, mas – no jargão popular – “vender o almoço pra comprar o jantar” nunca foi seu forte. “Falo o que penso, na hora que considero necessário”, me disse uma vez esse italiano extrovertido e afável, que “fala” não só com a boca, mas também com as mãos e cujo senso de humor é uma marca permanente. Competência e seriedade são dois de seus pontos altos, mas não o convidem para falar sobre futebol. É vascaíno doente. Tudo bem, todos temos os nossos defeitos.
Atualmente Santoro apresenta um programa semanal de entrevistas na WTN – Web Television Network. Segue a mesma linha de sempre: entrevistas inteligentes com gente que tem o que falar, causos para contar e se possível, com bom humor.
Divirtam-se:
Blog: Santoro, quantos anos de estrada e como foi o começo?
Santoro: Sou professor de Química por formação acadêmica. Dei aulas no Rio e em Brasília. Cheguei a ter oito colégios aqui no Rio e em Brasília, fui professor do Objetivo, onde ao apresentar um programa sobre vestibular, me convidaram para ser o apresentador do jornal local da cidade, pela TV Nacional. Dois meses depois, o Jornal Bandeirantes passaria a ser apresentado por três praças: São Paulo, Rio e Brasília. Joelmir Beting e Ferreira Martins, em Sampa; eu e Castelo Branco, em Brasília e Newton Carlos e Ronaldo Rosas, no Rio. Fiquei lá até ir pra a Manchete, e daí para o mundo!
Blog: Qual a diferença que você vê entre fazer televisão hoje e na época em que você começou? Há quem diga que acabou o romantismo no jornalismo, você crê nisso?
Santoro: Não acho que acabou o romantismo, não. A diferença é a agilidade em função da tecnologia. Quando eu comecei em TV, a leitura era feita no papel. Teleprompter só na Globo. Na Manchete o TP era numa esteira onde se colocavam os textos escritos em máquina elétrica – um luxo para a época; não existia fax, as notícias chegavam via telex. Quer dizer, tudo evoluiu, e isso é bom. A investigação dos fatos é mais às claras. Garanto que com os recursos de hoje, a Escola de Base – que foi escandalizada como uma escola paulista que seviciava e abusava de menores – não teria tido o desfecho daquela época. Hoje se apura mais, se vai mais fundo. Ou você acha que nunca roubaram, trapacearam ou mentiram nos outros governos? Todos mentem, a diferença é que este aí diz que não mentia… Lembra do ministro Recúpero, que ao vivo, falou tudo ao contrário do que professava? Tecnologia ou puxada de tapete? Trapaceiro, hoje, dura pouco como bom moço.
Blog: Você partiu para uma empreitada ousada: uma televisão na internet. Como tem sido o resultado, levando em consideração que no Brasil o acesso ainda não é universalizado e que a maioria das pessoas não possui banda larga? Você faz uma televisão para a classe AA?
Santoro: É meio assim. A WTN é uma empreitada nova, um desafio que alguns, como eu, resolveram topar. O futuro é a internet. Não tem jeito. O Brasil ainda está muito atrasado, por pressão de grupos estrangeiros que descarregam aqui os produtos que ficam obsoletos nos seus países. Haja vista que a banda larga pública nos EUA – isto é, que ninguém paga e é weireless, sem fio – é de 25 Mega. Cáspite! No Brasil, pagando, você tem, no máximo, oito Mega. Mas a nossa hora vai chegar e a deles já está começando a acabar! O futuro é a TV: internet, telefone e outras traquitanas juntas num só aparelho. Para nós, terceiro-mundistas, é difícil imaginar, mas será assim. Só espero estar vivo, consciente e no ar para ver isto… Hahahahaha…
Blog: Existem outros projetos em vista ou por enquanto vai ficar só com a WTN?
Santoro: Jornalista, professor ou publicitário que disser que não tem projetos em vista ou em andamento, é mentiroso. Claro, muitos! A vida é feita de desafios e a toda hora ela se apresenta para mim, pelo menos, perguntando se eu topo o próximo. E eu topo todos! Em breve, te digo o que está surgindo.
Blog: Com certeza você tem muitos fatos engraçados para contar. Eu sempre peço que meus amigos contem um, mas pode ser mais de um também, fique à vontade.
Santoro: Vinte e cinco milhões… mas, só vou te contar dois:
Eu estava apresentando o Jornal da Manchete Primeira Edição – eu era o titular do Segunda Edição, que ia ao ar por volta das onze e meia, meia-noite. Eu estava substituindo o Carlos Bianchini, de férias. Como não sou normal e o outro apresentador do Primeira Edição – o Ronaldo Rosas – também não era, surgia todo tipo de brincadeiras que você possa imaginar. Ao final do jornal, quando são desligados os microfones dos apresentadores, eu e o Ronaldo falávamos o que Deus duvidava! Palavrões aos montes, xingando ou dizendo besteiras pro pessoal do estúdio. Nesta época, não existia fax, internet ou qualquer destas maravilhas modernas. E a direção da Manchete recebeu uma carta de um senhor surdo e mudo, que por sua deficiência, lia os nossos lábios, quando falávamos aquelas besteiras todas. Contou que dizíamos os maiores impropérios, assim que o jornal terminava. Isto é, nos entregou de bandeja. Chamados à direção, negamos tudo veementemente, mas naquela noite… o final do nosso jornal foi “todo” dedicado ao mudinho:
- Mudinho f.d.p.!
- Mudo corno!
- Tua mãe tá na z…
- Dedo-duro veadinho!!
A Manchete era um manancial de casos gozados. Certa vez, nosso editor-chefe mandou o Joaquim, o boy da redação, buscar para ele, no Colorbar, um bar que existia ao lado da emissora, um misto quente, uma Coca-cola e um “suco de clitóris”. Ao chegar no bar, quem atendeu foi a mulher do portuga, um patrício mau encarado e mau humorado. E o boy pediu com todas as letras e alto:
- Ô Dona Maria, me veja aí pro meu chefe, um misto quente, uma Coca e um “suco de clitóris”.
E a portuguesa:
- Ó, Mó filho, Tenha mais “bergonha” na sua cara que sou mulher direita…
E o portuga mau humorado:
- Seu f.d.p., sem vergonha, vou te enfiar a purrada…
O garoto sem entender nada, volta à Manchete e conta o que aconteceu no meio da redação. Gargalhada geral.
O editor explicou a ele o que era clitóris, e desta vez, pediu:
- Então, vá lá agora, e peça um misto quente, uma Coca-cola e um “suco de cupuaçu”.
E o garoto:
- O senhor está louco! Dessa vez, não!
Histórias não faltam, e é por isso que estou escrevendo livros sobre as empresas por onde passei. É isto aí. Sempre que precisarem, estou aqui. Baci a tutti.
NOTA: Por conta da minha conexão com a internet, que anda a “passos de cágado”, como diriam Marcos Martinelli e Marcelo Antunes, só foi possível postar uma minifoto do Santoro, embora tenha retirado bons frames da entrevista realizada nesta semana. Por isso, peço desculpas aos leitores, que poderão vê-lo diretamente no WTN Entrevista, nos links colocados ao longo dessa nossa conversa por e-mail.
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Calendários
Hoje é um dia interessante. Ou melhor, o dia de hoje tem uma data interessante: 4/4/08. Vocês devem ter lido assim: quatro do quatro de dois mil e oito, ou quatro do quatro de zero oito. Somando quatro mais quatro o resultado é oito. Não é nada de mais; só uma curiosidade. Acho interessantes essas coincidências de datas. Tenho um amigo que se casou no ano passado, no dia 7 de julho, então foi em 07/07/2007.
Lembro que quando era mais jovem ouvia fanáticos religiosos, por conta das profecias de Nostradamus, dizerem que o mundo acabaria em uma data assim. Ainda bem que não existem 13 meses no ano, caso contrário já haveria data marcada: 13/13/2013. Se o dia, pelo calendário gregoriano, que é o que usamos no Ocidente, fosse uma sexta-feira, então…
Só que os fanáticos se esquecem que o mundo não se move somente em função do calendário gregoriano. Ele é apenas um parâmetro para calcularmos o tempo. No Oriente, por exemplo, existe o calendário chinês. Calendários são conjuntos de medidas de tempo (dias, semanas, meses, estações, anos). Nada mais que isso.
A palavra vem do latim calendae, kalendas ou calendas e significa “chamar”. Calendas era uma das três divisões principais do calendário romano, especificamente, o primeiro dia do mês, no qual as contas deveriam ser pagas. Uma curiosidade: a palavra almanaque, de origem árabe (todas as palavras com o prefixo “al”, como alface, almofada, aldeia, etc., têm sua origem no árabe) também se refere ao que hoje conhecemos como calendário, no sentido de medida de tempo.
Para quem for curioso e quiser saber um pouco mais, vale dar um pulinho na enciclopédia eletrônica Wikipédia (santa Wikipédia…). Além dela existem vários outros links com curiosidades a respeito do assunto.
Nesse nosso calendário do dia a dia, de correrias, trabalho e eventualmente algum lazer, hoje está reservado para um acontecimento interessante: o retorno de Marcelo Antunes, do Amazonas para o Rio, após concluir a primeira etapa da viagem pela Transamazônica. Os últimos 200 quilômetros do percurso foram, provavelmente, os mais difíceis, cumpridos em 29 horas.
Não bastassem as dificuldades naturais, como atoleiros e rotas alternativas, a ausência do parceiro e amigo Marcos Martinelli, que precisou retornar ao Rio – como vocês souberam por aqui; a ansiedade de chegar e os 70 dias na estrada acrescentaram algumas dificuldades. Nestas 29 horas o calendário do Marcelo deve ter pirado e com certeza ele imaginou que o tempo demorava mais a passar.
Agora, a impressão de tempo muda – não o tempo real, claro, mas o imaginário. Não somente pela repetição de boa parte do caminho, mas especialmente porque ele já sabe que os amigos estão esperando no Rio, com uma cerveja gelada e o desejo de ouvir, pessoalmente, as muitas histórias que a dupla colecionou nestes dias de viagem. Que o retorno seja breve e gratificante.
Vale a pena dar uma olhadinha no diário de bordo e conferir as novidades.
A respeito de Nostradamus e suas profecias, ou quadras, existem vários outros links na internet. Aqui vão alguns deles:
Para ler o site Fenômeno, clique aqui;
Sobre profecias e outras curiosidades, aqui;
Para ler uma matéria no portal Brasil.net a respeito do assunto, aqui.
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Renovação da fé
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Sobre guerreiros e amigos
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Ed Lincoln

Marcelo Bulgarelli, jornalista da melhor qualidade e super antenado com as novidades que pintam pela internet, dono de um blog cheio de atrações (cujos links estão no menu de blogs deste espaço e ao final da matéria abaixo), manda texto do Silvio Essinger, do Clique Music, a respeito do retorno de um dos maiores fenômenos da música brasileira dos anos 60: o inconfundível Ed Linconl. Quem está beirando os 40 não tem como não lembrar dele, cujos hits viraram sensação nos anos 90, na Inglaterra. Vale a pena ler a matéria e conhecer um pouco mais sobre o Lincoln, que agora faz parceria com outro Ed, o Mota. Clicando nas fotos, em cima do Ed Lincoln e abaixo, do Ed Mota, você obter mais informações a respeito da carreira, da biografia e a discografia dos dois, além de ter acesso à matéria do Essinger.
Ed Lincoln volta em disco de Ed Mota
Silvio Essinger
O Rei dos Bailes está de volta. Ed Lincoln e seu órgão, sensação dançante dos anos 60, entram pelo ano 2000 em participação na música Conversa Mole, faixa do novo disco de outro Ed – o Motta, que chega às lojas no começo do mês que vem. Aos 68 anos de idade, o músico se espanta com o interesse por seus discos antigos, que andaram embalando muita pista na Inglaterra nos anos 90. Suas gravações de Cochise e de Se Você Quiser freqüentaram as paradas de dance music do país e motivaram a pirataria (inglesa) de LPs que estavam há muito fora de catálogo. “Acho aquele som pobre, feio. Hoje você morre de rir ouvindo aquilo”, dispara, surpreendentemente. “Nem lembrava de Se Você Quiser. Quando gravei, achei que fosse uma música sem expressão. Não sei o que (os ingleses) viram nela.”
Quem for ao estúdio de Ed Lincoln, numa sala na Lapa (Rio de Janeiro) vai entender porque da rejeição: há muito ele se rendeu à tecnologia, gravando discos inteiros, com os mais avançados recursos sonoros, em seu computador. Suas experiências com a música eletrônica comerçaram em 1988, com um jurássico micro Commodore 64, onde ele gravou o disco Novo Toque. Hoje, quem conversar com Ed pode até se assustar, ouvindo-o discorrer sobre o Metallica e o Napster, e sobre a guerra de Lobão na Internet contra as gravadoras. Ele está constantemente plugado, baixando músicas do site mp3.com e procurando programas musicais na rede.
O fato do nome Ed Lincoln há muito não figurar em discos não significa que ele tenha deixado de gravar. Ao contrário: o músico continua produzindo – e muito – na área do easy listening, a popular música de elevador. Só que os discos, sempre com releituras instrumentais de sucessos nacionais e internacionais, são assinados com os mais variados nomes: Orquestra Los Angeles, Orquestra Romance Tropical, Gloria Benson… “Uma vez pediram uma entrevista com a Gloria!”, diverte-se Ed.
Mas o organista não deixa de se render ao interesse do público por seu passado. Está preparando o relançamento em CD dos discos que lançou (como Ed Lincoln e De Savoya Combo) pela Savoya Discos, selo que montou sozinho em 1968. E planeja até o fim do ano voltar com sua célebre banda de bailes, com alguns dos membros originais. Ed Motta teria até se oferecido para produzir o disco da volta do grupo. “Meu negócio sempre foi fazer música para dançar”, admite Lincoln, que conseguiu transmitir o legado profissional para os filhos, Marcos e Marcelo Sabóia, craques de estúdio que gravam alguns dos maiores nomes da MPB.
bardobulga.blogspot.com
bardobulga@gmail.com
http://picasaweb.google.com/bardobulga
http://www.youtube.com/bardobulga
http://www.putfile.com/bulgarelli
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