Os números de 2011
Aqui está um resumo:
Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 3.300 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 55 viagens para as transportar.
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E lá se foi o sétimo ministro do governo Dilma Roussef; o sexto após suspeitas de irregularidades. Carlos Lupi (Trabalho) deixou o ministério após Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Agricultura) e Orlando Silva (Esportes). Destes, apenas Jobin não esteve envolto por acusações. Aos poucos a presidenta vai substituindo a herança deixada por seu antecessor e mandando um recado direto aos partidos aliados a respeito de sua postura.
Quando assumiu o governo, há menos de um ano, muita gente achava que a presidenta não conseguia identificar quais contornos daria à sua administração. Pouco mais de um ano depois, deixa claro aquilo que ela não quer. Com isso, a imagem internacional da primeira mulher a ocupar o cargo máximo da República está nas alturas. Ganha prestígio internacional, e com ele, poder. A ponto de ser a primeira dirigente mulher a abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Dilma mira em dois pontos fundamentais com a intolerância à corrupção, ou pelo menos, a escândalos: seu futuro político e do próprio PT e os investimentos externos. Sabe-se no mundo lá fora que um dos fatores que pesam contra investimentos no Brasil sempre foi a corrupção, associada à morosidade do Estado e outros fatores. Porém, a corrupção desacredita a máquina brasileira perante investidores estrangeiros e a presidenta não está disposta a passar de guerrilheira à vendilhona.
Internamente, em um momento no qual o Brasil clama por decência no serviço público e a Receita Federal investiga até seus próprios auditores, ela ganha força diante dos partidos aliados porque mostra quem tem a caneta na mão e inverte o papel com a base, deixando de ser refém ao expor feridas purulentas dos políticos tradicionais.
Até o momento, a postura firme da presidenta no quesito honestidade está ganhando respaldo internacional, força na mídia e simpatia junto à sociedade. Não é à toa que em setembro sua popularidade era mais alta que a de Lula e FHC, no mesmo período de governo, segundo pesquisa CNI/Ibope (veja aqui). Além disso, Dilma Roussef esvazia o discurso da oposição, que colou no governo de seu antecessor o selo de “o mais corrupto do Brasil”.
Com tolerância zero às falcatruas – pelo menos àquelas que vazam na mídia, a presidenta começa a pavimentar dois caminhos: o primeiro das sucessões estaduais, mostrando que o PT não está mais disposto a compactuar com irregularidades, sejam elas internas, seja dos aliados. O segundo caminho é o da sua própria reeleição, visto que com a saúde combalida do ex-presidente Lula – ícone e maior nome do PT, o Partido dos Trabalhadores precisará de um “plano B”, caso ele não possa – ou não tenha condições, de ser o candidato, como se imaginava que ocorreria após os quatro anos de Dilma.
No campo da economia o Brasil dá sinais de que tem “gordura” para queimar com suas reservas cambiais alcançando patamares inéditos. A redução da máquina do Estado, iniciada no governo FHC tem ajudado muito, e até o PT reconhece isso. É preciso, ainda, ajuste fiscal, redução de despesas, melhoria na infraestrutura e criação de nichos econômicos em regiões pouco desenvolvidas.
A crise europeia, pelo visto, não anda nem fazendo cosquinha – pelo menos por enquanto – na economia brasileira, apesar da inflação ter subido um pouco. Porém, é bom colocar as barbas – ou melhor, as madeixas – de molho, já que os Estados Unidos, nossos principais importadores, não andam lá tão bem das pernas. Melhor mesmo é reforçar as parcerias com os asiáticos, especialmente a China, que possui em caixa mais que o dobro do que a Europa inteira precisa hoje para se reerguer.
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Tags:Brasil, corrupção, crise internacional, Dilma, Economia, Europa, FHC, Lula, Lupi, ministério, pesquisa, popularidade, respeito
O Tempo
Desde que fiz 40 anos tenho pensado cada dia mais sobre quanto vale o tempo. Ultimamente ando cantarolando com certa frequência àquela música do Caetano, que fala Dele: “tempo, tempo, tempo, tempo…”. O tempo de estar com a família, com os amigos, de viver coisas simples – que são as boas coisas da vida, o trabalho, o tempo das revelações diárias – o amanhecer, o entardecer, o cair da noite, o silêncio das madrugadas, invariavelmente ocupados com uma simples leitura ou algum estudo, ao contrário de quando eram ocupadas com trabalho.
Aos 40 anos faz-se um balanço da vida e o meu começou aos 39, com um certo apavoramento, chegando à conclusão que provavelmente teria menos tempo de vida dali para a frente, do que o decorrido até então. Sem querer acabei parafraseando Mário de Andrade, pensando nas jabuticabas na bacia. Fiz a conta das coisas já vividas e noves fora umas e outras, concluí que fiz muito mais do que esperava, mas muito menos do que pretendia, ou deveria ter feito. E de certa forma isso causou um sentimento de vazio, misto de preocupação com um desconforto por ter tantas coisas imaginadas e poucas realizadas.
Assustou-me o fato de ter menos tempo de vida para tudo o que se gosta, como um caminhar pela praia no amanhecer ou entardecer, ouvindo as ondas quebrarem na arrebentação e se espalharem preguiçosas pela areia, para recolher-se pouco depois, mais mansamente, iniciando novamente um ciclo sem fim, interrompido somente de tempos em tempos com mar bravio, agitado por ventos mais nervosos, que é como se a natureza nos chamasse a pensar sobre tudo o que temos feito contra ela. Em compensação, há menos tempo para as coisas que não se gosta, lembrando novamente o Mário de Andrade.
Próximo aos 41 tornei-me pai pela terceira vez. Foi como se remoçasse alguns anos. Alguns bons anos, porque me trouxe de volta a relação com meu velho pai – que na época já havia morrido – a quem só passei a compreender realmente após ter me tornado pai de duas belas meninas, entretanto de maneira inversa: agora eu era o pai, e não o filho. Sobre isso, lamentei o fato de meu filho não ter convivência com o avô, pois ele foi um grande sujeito, ótimo amigo, um guia – de coisas boas e ruins, que com o tempo de vida foi se moldando, tornando-se mais afável, mais carinhoso, mais compreensivo, um pouco melancólico, entretanto menos tolerante com a ignorância de um mundo em mutação. Sorte ele – meu filho – ter podido alegrar o outro avô, na época com problemas de saúde.
Estranha essa coisa do tempo, que às vezes trás repetições da vida, mas de uma forma diferente, porque a cada segundo, nada é igual ao que passou. Quando meu filho mais novo veio ao mundo, eu tinha praticamente a mesma idade de meu pai, quando nasci. Ele, assim como eu, foi o terceiro filho, e igualmente como no meu caso, o avô paterno já havia morrido. Meu avô paterno morreu no mesmo ano em que nasci, enquanto meu pai morrera cinco anos antes dele nascer, mas meu filho teve um breve convívio com o avô materno, o que no meu caso não aconteceu, pois o pai de minha mãe morrera quando ela tinha apenas cinco anos. São as repetições do ciclo da vida, modificadas conforme o desejo de algo ou alguém que rege o universo, delimitando tempo, espaço, ações, reações e outras coisas. Jamais acasos.
Recentemente, lendo um livro muito interessante sobre o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha – que pretendo ainda ter tempo para fazer, li uma frase simples, contudo, reveladora que falava sobre a relação entre pais e filhos: “a preocupação do filho em relação ao pai é muito diferente daquela do pai em relação ao filho”, o que é absolutamente uma verdade, porque os mais jovens, embora queiram – em sua maioria, o melhor para seus pais, têm um tempo diferente, visto que o mundo daqueles que vêm depois é outro, muitas vezes antagônico dos que vieram antes.
Essa coisa do tempo é muito interessante. Impressionante pensar que algo tão intangível como ele tenha tanta importância na nossa vida, especialmente depois do advento da internet, do telefone celular e outras coisas tecnológicas, que em vez de nos proporcionarem mais tempo pelas supostas facilidades, atribuíram uma importância tal e carimbaram um “urgente” em coisas tão banais quanto a responder uma simples carta, ou melhor, mensagem eletrônica – ou e-mail, para os iniciados.
É claro que a tecnologia trouxe uma série de praticidades – e não vale falar delas agora, mas ao mesmo tempo – olha ele aí de novo, conferiu pressa ao mundo, parecendo ter encurtado os dias, acelerando o tic-tac do relógio, espremendo as manhãs entre uma madrugada não dormida e uma tarde acelerada, porque o relógio não dá descanso, não para, não tira folga, não falta ao serviço, não fica doente, não sai pra vadiar, não pensa nos segundos seguintes, muito menos nos passados. E me recordo de um provérbio que diz que “o tempo passado não volta”. De fato, não há retorno para o que se fez ou deixou de fazer. Não há como retroceder no tempo como Super Homem, carregando Lois Lane nos braços, fora da órbita terrestre, girando em sentido contrário ao da rotação. Não há “efeito borboleta” que seja capaz de refazer o que se foi, pelo menos exatamente como era antes, nos dando a oportunidade de agir dessa ou daquela maneira, tentando reparar erros ou melhorar as coisas, porque tudo na vida possui uma razão específica, um encadeamento, sem acasos e sem que saibamos ao certo, onde começa ou termina o tal do livre arbítrio. Porém, não se iludam: o acaso não existe.
Por certo, na melhor das hipóteses, esse tal de livre arbítrio, que vem a influenciar – ou ser influenciado, não sei – pelo velho conhecido Tempo – agora como sujeito de todas as coisas, no final das contas me parece um grande engodo, porque não há uma encruzilhada no fim “daquele” caminho, mas no máximo uma bifurcação, levando para a esquerda ou para a direita, desprezando todos os pontos cardeais anotados na bússola, que aliás, esteja aonde estiver, aponta apenas para uma mesma direção – o Norte. Então, cabe ao tal livre arbítrio a escolha de outras direções, porém, contudo, entretanto, todavia, elas não estão em todos os mapas e nem sempre são opções viáveis.
A mim, parece pouco razoável esse negócio de haver apenas duas opções: direita ou esquerda, certo ou errado, bem ou mal, bom ou ruim, sim ou não; mas filosoficamente falando, sem querer me comparar a qualquer pensador de qualquer tempo – eis o mesmo, novamente – possivelmente seria menos razoável ainda, existir mais de duas, eis que uma terceira via trataria de ser não mais que um vazio, pois o que é um “talvez”, se não um imenso vazio, uma grande incerteza, uma inconsistência sob todos os aspectos, visto que ele – o “talvez”, antes de mais nada é uma lacônica e ininteligível negação de qualquer uma das possibilidades, seja o sim ou o não, o certo ou o errado, o belo ou o feio? Essas não são ofertas na prateleira do supermercado, não vêm com marca registrada e nem código de barras. São decisões da vida. E quão difícil e doloroso seria se existissem mais de duas opções, pois se com apenas duas, nos tornamos tão confusos, complexos, dicotômicos, paradoxais, antagônicos, duvidosos, vacilantes, transversais, tergiversantes, imprevisíveis… imagine-se com mais de duas opções!
O que seria do branco – na fotografia, presença total de luz – não fosse o preto – ausência completa de luz, no diafragma de uma câmera? Eis que o equilíbrio feito pela medida certa de abertura e velocidade, calculando o tempo – que surge mais uma vez, agora como contagem de milésimos, décimos, segundos, minutos… se faz preciso para registrar uma fotografia daquele instante de tempo, então com valor de momento. Daí, podemos concluir que o tempo, não mais que ele e apenas ele, é capaz de mover o mundo, fazer as coisas acontecerem e ser um digno e justo aliado, conferindo equilíbrio necessário para todas as coisas, muito embora a balança sempre dê a impressão que colocaram um peso a mais nas suas costas, ou que alguém anda querendo te atribuir uma responsabilidade a mais, te enganar ou tão somente surrupiar alguma coisa, nem que seja tão somente um tempinho a mais ou a menos, dependendo do ponto de vista, ou da situação.
Paro e olho para trás. É possível ver o tempo que passou, encadeando uma história muitas vezes sem nexo, muitas vezes sem grandes diferenças da maioria dos mortais, pois que somos todos semelhantes, porém com algumas diferenças. Assim como o tempo que passou e não volta mais, mas que certamente renovará o ciclo, contando uma história idêntica, às vezes trazendo um dèjá vu, que é aquela sensação de que determinado momento ou situação já foi vista ou vivida. O tempo futuro está lá no horizonte, que se vislumbra muito longe, quase perdendo de vista, pois a caminhada começa agora, nesse instante, no exato momento em que se termina uma coisa e começa outra, num ciclo sempre renovado do qual constam interseções unindo os diversos conjuntos unitários, finitos, infinitos e até os vazios, que formam o grande conjunto universo.
Enquanto isso o tempo, só ele, percorre a sua vida sem que você se dê conta do quão importante ele é para você e você para ele, numa simbiótica relação de cumplicidade, sem valorizar os momentos, por mais ínfimos que sejam, por mais desprezíveis que possam parecer; sem olhar para os lados e indiferente, seguir, ou recuar. Mas o tempo está ali, sem que você perceba, sem fazer ruídos, sem chamar a sua atenção, sem relâmpagos e nem trovões, sem o mar bravio, sem ventos, nem tormentas, mas apenas como uma brisa. Imperceptível e indecifrável tempo.
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TRE reconduz Rosinha
O Tribunal Regional Eleitoral acatou o pedido de liminar feito pelos advogados da prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, reconduzindo-a ao cargo por mais 30 dias – dentro desse prazo deverá ser julgado o mérito. Desde a decisão da 100ª Zona Eleitoral de Campos, que cassou o diploma da prefeita e do vice, Doutor Chicão, foi montada uma vigília no estacionamento da Prefeitura de Campos. Barracas foram instaladas, sanduíches e cafezinho distribuídos aos assessores, contratados, terceirizados e correligionários que atenderam aos apelos de apoio feitos pela prefeita, por seu marido, o deputado federal Anthony Garotinho e assessores, para que as pessoas aderissem ao movimento.
Pouco antes de ser confirmada a liminar, o presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim, foi empossado como prefeito, atendendo à decisão da juíza Gracia Cristina Moreira do Rosário. Após Nahim passar o comando da sessão de posse ao vice-presidente da Câmara, Rogério Matoso, houve confusão entre os vereadores. Atribui-se ao vereador Magal uma suposta agressão ao presidente do Legislativo. As informações são confusas, mas na condição de presidente da Câmara, Nahim pediu à Polícia Militar que garantisse a segurança no local.
O presidente da Câmara, Nélson Nahim, é irmão do deputado federal Anthony Garotinho, que durante boa parte do dia pressionou por meio de uma rádio de Campos, para que ele não assumisse. Segundo Garotinho, Nahim “estaria cometendo uma ilegalidade”. O blog de Roberto Moraes publicou diversos trechos das falas de Garotinho.
Abaixo o Ato Executivo da Câmara convocando os vereadores para a posse.
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A República do Chuvisco
Nos últimos anos, o município de Campos dos Goytacazes tem vivenciado uma série de fatos políticos extremamente conturbados. Desde 2004, foram sete prefeitos diferentes com os afastamentos de Arnaldo Viana (2004), Carlos Alberto Campista (2005), Alexandre Mocaiber (2008) e Rosinha Garotinho (2010 e 2011). Os eleitores ainda foram às urnas em uma eleição suplementar, após o afastamento definitivo de Carlos Alberto Campista.
Em 2004, o ex-aliado e ex-vice-prefeito de Garotinho, Arnaldo Viana, foi afastado da Prefeitura. Assumiu o então vice, Geraldo Pudim, hoje secretário de Governo de Rosinha. Viana retornou ao poder no mesmo ano. Já em 2005, o advogado Carlos Alberto Campista, eleito com o apoio de Arnaldo Viana, ou seja, contra Garotinho, foi cassado. Assumiu o presidente da Câmara, Alexandre Mocaiber, eleito posteriormente em pleito suplementar.
Mocaiber enfrentou um processo de afastamento, em 2008, sob acusação de irregularidades. Na vacância, o vice, Roberto Henriques, então no mesmo partido de Garotinho (e hoje desafeto), comandou o município por 43 dias. Em seguida, Mocaiber retornou. No ano passado, com o afastamento por seis meses, de Rosinha Garotinho, o prefeito foi o presidente da Câmara, Nélson Nahim.
Todos estes fatos tornam a política campista ainda mais confusa. O período coincide com a ascensão do grupo, ou melhor, do clã Garotinho, ao poder, numa trajetória que, desde sua gestão à frente do governo do Estado do Rio, conta com denúncias de mau uso dos recursos públicos, tráfico de influência, condenação de assessores por envolvimento com o crime organizado e escândalos, como o que ficou conhecido por “propinoduto”, que afastou o subsecretário de Administração Tributária, Rodrigo Silveirinha, em janeiro de 2003.
- Leia aqui textos e matéria sobre o caso, na revista Veja, no site Conjur, no blog de Ricardo Gama, a respeito de nota publicada no jornal Extra, e aqui a cronologia do caso no site do Centro de Conhecimento do Basel Institute on Governance (dedicado, entre outras ações, a medir a corrupção governamental), do International Centre for Asset Recovery (na tradução literal, Centro Internacional de Recuperação de Ativos).
Desde muito tempo o ex-governador protagoniza embates tanto no Judiciário quanto no Legislativo. No início de seu mandato como governador, expulsou o então presidente da Assembleia Legislativa e hoje governador, Sérgio Cabral Filho, e o então primeiro-secretário da Alerj, Jorge Picciani, de seu gabinete, no Palácio Guanabara. Logo após se envolveu em um caso de escutas telefônicas e denúncias contra parlamentares, que ele jamais conseguiu comprovar. Assessores seus foram acusados de envolvimento no “escândalo das quentinhas”, que detonou o império do empresário Jair Coelho.
A carreira política do deputado federal Anthony Garotinho começou no PT, mas foi pelo PDT, que se elegeu prefeito de Campos pela primeira vez, em 1988, com mandato de 1989 até 1992. Em seguida, transferiu o domicílio eleitoral para a cidade vizinha de São João da Barra, concorrendo a deputado estadual. Garotinho foi secretário de Agricultura de Leonel Brizola, projetando seu nome na política estadual. Em 1994, perdeu a eleição, mesmo com o apoio de Brizola e do PDT, para Marcello Alencar (PSDB), elegendo-se prefeito novamente em 1997. Renunciou em 1998, para ser candidato a governador, vencendo o pleito nas hostes de Brizola, com quem brigou em 2000, por conta das eleições municipais daquele ano.
Já em 2001, o hoje deputado federal renunciou ao cargo de governador para que sua mulher Rosinha fosse candidata em seu lugar e
ele, a presidente. No ano de 2002, obteve mais de 15 milhões de votos na disputa pela presidência da República e apoiou Lula, no segundo turno, contra José Serra. A reivindicação pelo controle da Petrobras o levou para a oposição. Garotinho se sentiu preterido e passou a desancar Lula e seus aliados políticos. Sobre o PT, disse em uma ocasião que era “o partido da boquinha”.
Sua tentativa de ser candidato a presidente, desta vez pelo PMDB, em 2006, foi por água abaixo após uma greve de fome de 11 dias. Em meio a acusações de recebimento de dinheiro impróprio para suas campanhas, dizendo-se perseguido pela mídia, especialmente pelo jornal O Globo e pela revista Veja, e pelo governo Lula, do qual o PMDB fazia parte da base aliada. Durante o mandato de Rosinha Garotinho, como governadora, foi secretário de Segurança Pública. Até hoje já foi filiado ao PT, PDT, PSB, PMDB e agora, PR.
É evidente o apego do clã Garotinho, pelo poder, sempre associado a políticas assistencialistas, como a “moradia a um real”, “restaurante a um real”, “passagem a um real”, e outras. Hoje, além dele, que exerce mandato de deputado federal, a mulher, Rosinha, é prefeita – afastada, até o momento – de Campos e a filha Clarissa, deputada estadual. O filho Vladimir é o presidente do diretório municipal do Partido da República.
Veja aqui algumas matérias relacionadas:
- O Globo – O populismo que veio de Campos para o Palácio Guanabara
- Revista Veja – Um candidato bom de boca
- Folha de São Paulo – Garotinho sai com choro e culto evangélico
- Gospel Mais – “A única arma que uso é a Bíblia”, diz Garotinho
- Terra TV – Casal Garotinho é acusado de desviar milhões no Rio
- Portal Terra – Justiça Federal condena Garotinho e Álvaro Lins por corrupção
- Jornal Nacional – Justiça Federal condena Garotinho por comandar esquema de corrupção na polícia
RÁPIDAS
- Hoje pela manhã, a prefeita continuava acampada no estacionamento da Prefeitura, junto a assessores e contratados terceirizados da Prefeitura de Campos. Tanto ela, quanto seu marido, o deputado Garotinho, que apearam alguns adversos do poder, ao longo de sua carreira política, afirmam que a decisão da juíza Gracia Cristina Moreira do Rosário, da 100ª Zona Eleitoral de Campos, que cassou os diplomas de Rosinha e do vice-prefeito, Doutor Chicão, e os tornou inelegíveis por três anos, a partir de 2008, “é absurda”. E acusam uma articulação do governador Sérgio Cabral Filho.
- Após a divulgação da sentença, todo o dia de ontem (quarta-feira, 28) e pela manhã de hoje, foram usados meios de comunicação para convocar a população para manifestações de apoio à prefeita afastada. Moradores de Ururay, localidade de Campos, foram incitados, na tarde quarta-feira, 28, a fecharem a BR-101, uma das principais rodovias do País.
- O presidente da Câmara de Campos, irmão do deputado federal Garotinho, Nélson Nahim, recusou-se a assumir da Prefeitura com base em uma tese da procuradoria da Câmara, de que o trâmite para que ele assumisse o mandato não estava correto. O advogado Paulo Vizela, em comentário no blog do jornalista Alexandre Bastos, da Folha da Manhã, jornal de Campos, com grande circulação na Região Norte do Estado do Rio, discorda. Veja aqui.
- A Justiça informou que no caso de recusa do presidente do Legislativo em assumir a função de prefeito, o vice-presidente, Rogério Matoso, será empossado prefeito. Seria o oitavo prefeito de Campos, desde 2004.
- Rosinha Garotinho falou à rádio CBN na manhã desta quinta-feira e disse à jornalista Lúcia Hipólito que só sai da Prefeitura de Campos, algemada. Ouça aqui o áudio que varreu a internet ao final da manhã.
- Diversos órgãos da Prefeitura de Campos amanheceram fechados. Contribuintes reclamaram que foram informados de que “não haveria expediente”.
(Imagens extraídas da internet)
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Tags:afastamento, Campos, cassação, condenação, eleição, Garotinho, mandato, política, República do Chuvisco, Rosinha, TRE
O blog do João do Microfone publicou às 16h53, vídeo que mostra uma multidão caminhando em direção à Prefeitura de Campos. São centenas de contratados e terceirizados, como os funcionários da limpeza pública, “intimados” por integrantes do governo Rosinha Garotinho, por meio do rádio e outras formas, a comparecerem a uma suposta manifestação de desagravo.
Veja aqui o vídeo das pessoas chegando à Prefeitura de Campos.
Como publicado no post anterior, a prefeita foi afastada da Prefeitura de Campos por decisão da Justiça Eleitoral, que considerou “panfletário” o uso de meios de comunicação. Além da prefeita, fazem parte do processo o deputado federal Anthony Garotinho, seu marido, e os radialistas Linda Mara da Silva, Fábio Paes e Patrícia Cordeiro. A sentença os torna inelegíveis por três anos a partir de 2008. A prefeita afirma que só sai da Prefeitura presa, Garotinho esbravejou na Câmara dos Deputados que a decisão da Justiça “é um golpe contra o povo de Campos”, pelo rádio, colaboradores da prefeita soltaram impropérios contra a Justiça Eleitoral e o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), desafeto do casal.
Apesar dos acusados afirmarem, em sua defesa, que não têm ligação direta com a direção do grupo “O Diário”, segundo ouvintes, o secretário de Governo, Geraldo Pudim, convocou, por telefone, o diretor da rádio, Paulo André Barbosa, a montar um estúdio dentro da Prefeitura para transmitir ao vivo os acontecimentos e entrevistas com secretários municipais e vereadores. Também foram convocados beneficiários dos programas sociais de Campos a participarem das manifestações em apoio à prefeita. Até tendas foram montadas no estacionamento da Prefeitura para abrigar aqueles que foram prestar solidariedade.
Convocações de “correligionários” para manifestações de “desagravo” no mínimo, inusitadas, são uma das especialidades do casal Garotinho. Há alguns anos, o ex-governador protagonizou uma greve de fome, após instalar-se na sede do PMDB, no Rio, alegando que sofria perseguição da mídia e do governo Lula, às vésperas da eleição presidencial. Recorde o caso que recebeu ampla cobertura da impresa e inspirou humoristas:
Folha de São Paulo: Garotinho anuncia greve de fome em protesto a “boicote”
Cia. de Humor: Greve de Fome
Veja: Em greve de fome, Garotinho mostra que não tem estatura para ser candidato a presidente
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Tags:afastamento, Campos, Campos dos Goytacazes, candidatura, cassação, fome, Garotinho, greve, política, presidência, Rosinha

Este blog não visa cobrir fatos do cotidiano como outros factuais, porém, a situação não pode passar em branco.
Pela segunda vez a Justiça Eleitoral cassou o mandato da prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho. Ela é acusada de abuso do poder econômico e uso irregular de meio de comunicação, no caso o jornal e a rádio do grupo O Diário. A prefeita e o marido, o deputado federal Anthony Garotinho, além dos comunicadores Linda Mara da Silva, Patrícia Cordeiro Alves e Everton Fábio Nunes Paes, são acusados de usarem a rádio de maneira “panfletária”. Em seu blog, o deputado Anthony Garotinho afirmou que os advogados pediram a suspeição da juíza Gracia Cristina Moreira do Rosário, da 100ª Zona Eleitoral. Na Câmara Federal, Garotinho esbravejou em um pronunciamento, dizendo que a decisão “é um golpe contra o povo de Campos”.
Especialistas em direito eleitoral afirmam que a colocação de Garotinho e as alegações dos advogados de defesa não causam surpresa. Segundo eles, tudo não passa de manobra para tentar expor a Justiça Eleitoral:
- Esse teatro dos advogados de defesa não passa de artimanha, um artifício para protelar a decisão, nada mais que isso. Se a juíza não decidisse pela cassação ele diria que fez o certo; cassando, tenta desacreditar a magistrada. Se o processo fosse remetido para o TRE, como nos casos em que se argui suspeição, tentariam jogar a decisão para o TSE. Tudo meramente para protelar a decisão, afirma um advogado eleitoral.
Os advogados da prefeita de Campos alegaram a suspeição em razão de nota divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral, informando que o julgamento deveria ocorrer até a quinta-feira, dia 29. No município, o clima é de guerra: centenas de pessoas estão indo para as ruas para manifestação convocada por assessores, como o secretário de Governo, Geraldo Pudim. Os ânimos estão exaltados, com centenas de ocupantes de cargos políticos e contratados se aglomerando em frente à Prefeitura. Empresas de ônibus, como a Tamandaré, estão parando. A prefeita disse que não deixa seu Gabinete enquanto não for julgado o recurso e mandou buscar os filhos em casa, dentre eles o presidente do PR – Partido da República, Vladimir Matheus.
Irmão de Garotinho, o vereador e presidente da Câmara, Nelson Nahim está sendo procurado pela Justiça Eleitoral para ser notificado e assumir a Prefeitura. Nahim foi envolvido esta semana em uma polêmica deflagrada pelo vereador Kellenson Alves Kellinho Figueiredo de Souza, o Kellinho, que registrou em cartório uma declaração e enviou ao deputado Garotinho, informando que Nahim havia dito ao vice-presidente do Legislativo, Rogério Matoso, para preparar-se porque assumiria novamente a presidência da Câmara. Nahim desmentiu o fato e chamou o colega vereador de “baba-ovo”. Nesse momento um oficial de Justiça se encaminha para a Prefeitura a fim de notificar a prefeita. Rosinha afirma que vai resistir e não deixará a Prefeitura. Pelo jeito haverá mais choradeira e outra greve de fome.
(Foto extraída da internet)
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Europa dependente da China?
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Quando Marco Polo cruzou o continente europeu e chegou à China, em meados de 1272, descobriu um país de tradições milenares e uma tecnologia, para a época, inovadora, além de conceitos que durante séculos foram usados pelo Ocidente. O desbravador trouxe para a face ocidental do mundo muito mais que o macarrão, transformado em símbolo de sua Itália (Polo nasceu na República de Veneza, em 1254), ou a pólvora, que modificou as estratégias de guerra. Sem saber, provocou uma revolução silenciosa.
Passados 739 anos da chegada de Marco Polo, à China, o Ocidente conhece uma nova Nação, diferente daquela que saiu da revolução camponesa de Mao Tse-tung, em 1949, ou a China dos protestos de 1989, quando cem mil estudantes e trabalhadores, inspirados pela glasnost (liberdade de expressão) soviética se concentraram na Praça da Paz Celestial reivindicando reformas políticas e econômicas. Hoje (terça-feira, 14 de setembro), em Dalian, cidade chinesa que sedia uma espécie de “versão de verão” do Fórum Econômico de Davos, o primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, mandou um recado para os mercados em crise.
Com a autoridade de quem tem a chave do cofre onde estão reservas de US$ 3 trilhões – sendo US$ 1 trilhão em bônus do tesouro americano (o que seria suficiente para pagar a dívida externa de Portugal e Espanha), o premiê chinês deu um puxão de orelhas nos dirigentes europeus, dizendo que eles precisam gerar empregos, reduzir gastos, equilibrar os orçamentos e controlar a inflação na zona do Euro. Uma receita óbvia para quem está à beira da falência.
Wen Jiabao disse ainda que confia na recuperação dos Estados Unidos e que as reservas chinesas serão destinadas a manter os investimentos na Europa. Mas como quem tem o dinheiro na mão comanda o mercado internacional, já antecipou a fatura para os credores: quer seu país reconhecido como uma economia de mercado, o que derrubaria restrições comerciais.
A China é o país que mais cresce no mundo, com uma taxa média anual de impressionantes 8%, com pico de 9,5% em 2004. Ao mesmo tempo vive contrastes intensos: com baixos salários, carga de trabalho excessiva, aglomerados urbanos que cresceram sem planejamento, muita poluição, pouco cuidado com o meio ambiente, leis trabalhistas e previdenciárias duvidosas, além de inflação. Porém, tornou-se uma potência mundial, nos últimos 30 anos, consolidada entre o final do século passado e o inicio deste. Há quem aposte que até meados do século atual será a maior potência econômica mundial.
Com milionários emergentes e um grande contingente de seus mais de 1,3 bilhão de habitantes – quase um quarto da população mundial – oscilando entre o mundo tecnológico e em algumas regiões, um sistema agrário que lembra o feudalismo, possui empresas mundiais, todas controladas pelo governo. Mas também quer o reconhecimento como uma economia de mercado, decisão fundamental para que possa dar o passo que deseja, solidificando o sistema político vigente desde a revolução camponesa de Mao Tse-tung como um modelo econômico de sucesso. Seria a vitória absoluta do comunismo, que ruiu no Leste Europeu após a Perestroika (abertura econômica e política) de Gorbachev, sobre o capitalismo selvagem do mundo ocidental, abalado por sucessivas crises econômicas.
O tigre asiático tornou-se um dragão chinês, que cospe fogo e alça vôs muito mais altos do que se poderia imaginar.
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Repercussões da crise americana
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o orçamento americano é baseado em premissas fantasiosas. Com um crescimento acelerado em razão do que as empresas americanas ganhavam no exterior com a reconstrução da Europa e do Japão, e internamente, com a Guerra Fria que estimulava a produção de artefatos bélicos – inclusive o desenvolvimento tecnológico, nos bastidores da inteligência de espionagem, o governo elaborou uma estratégia de juros internos baixíssimos para subsidiar o consumo e remunerar investidores com papéis do tesouro. Esse é um resumo da economia yankee, que por quase 50 anos viveu muito bem, obrigado, sem que os Estados Unidos tivessem lastro financeiro para amparar ao valor que estava no papel.
Assim, um terço dos orçamentos americanos não passa de numerologia fictícia, ou seja, não há dinheiro suficiente para remunerar os investidores dos papéis do Tesouro Americano, muito menos pagar as dívidas, antes limitadas a 80% do orçamento e hoje, iguais a 100%. Em resumo, o Federal Reserve – o banco central americano, e o Tesouro Americano terão que despender um esforço muito maior para cumprir todos os compromissos de curto prazo. Em outras palavras, se fosse protestado, o governo teria que lançar mão de reservas estratégicas para saldar as suas dívidas.
Tudo o que ocorre hoje na economia americana é resultado da descoberta, há cerca de uma década, de que bancos, fundos de pensão e outras instituições concederam mais crédito do que poderiam aos cidadãos americanos, com o governo subsidiando a juros baixos a “aquisição” de dinheiro investido na compra de imóveis, carros, viagens, estudos dos filhos, planos de aposentadoria e outras coisas comuns na vida de cidadãos comuns. Há muito tempo os americanos vivem sustentados pelo governo, com juros baixíssimos.
É possível que este seja o sistema econômico “ideal” para a sociedade, mas com certeza, a longo prazo, é inviável para qualquer governo. Quando os mercados sofrem algum abalo e o consumo cai, vira uma bola de neve. Com menos consumo há menos emprego, com menos emprego cai a arrecadação de impostos e aumenta a despesa governamental com benefícios sociais e investimentos em educação e saúde, porque mais pessoas vão recorrer ao público, já que terão menos dinheiro para o setor privado. Desta forma há mais desemprego e atrasos sucessivos nos pagamentos de contas como as hipotecas e outros financiamentos. Aumentando o “calote” do consumidor, as instituições recorrem ao governo, que amplia os subsídios ou joga mais dinheiro no mercado para equilibrar as contas dos grandes conglomerados econômicos, em tentativa desesperada de manter a saúde financeira do sistema.
O grande problema dos Estados Unidos foi a manutenção de uma taxa de juros baixa ao consumidor. Com cerca de 317 milhões de consumidores vivendo com juros subsidiados, se torna necessária a emissão de papel em velocidade impressionante, o que por si só resulta em aumento da dívida pública – o maior fantasma enfrentado pelos EUA, mesmo com um PIB, em 2009, na ordem de US$ 14,1 trilhões. E aí surge uma nova bola de neve. A única saída é incentivar os negócios no exterior, com a descoberta de mercados, a produção em escala e o aumento das exportações. Mas os Estados Unidos, com o dólar valorizado, são os maiores importadores do mundo, com uma produção de alimentos cara e também subsidiada, além de reservas de mercado que dificultam as negociações.
Caminho viável foi criar o factoide da guerra contra o terrorismo – que diferentemente dos tempos de Guerra Fria, é uma ameaça muito mais presente e perigosa que os soviéticos e os países do bloco comunista. Fidel, até por seu estado de saúde, deixou de ser o principal adversário e no meio de toda a crise, Hugo Chavez ganhou a dimensão local que sempre deveria ter tido, porque não representa absolutamente nada no contexto internacional.
Hoje, a Europa está com os mercados estagnados e a grande ameaça à produção em escala, que fez a vantagem dos EUA
nos mercados internacionais, vem da Ásia. Os chineses produzem muito a custos baixíssimos e exportam até para o Japão, outro campeão em produção. A Alemanha e demais países europeus do chamado “Primeiro Mundo” estão inchados com refugiados da África e do Oriente Médio e não há mais espaço e condições para abrigar a todos. O negócio é criar e explorar os novos mercados, e o mais próximo dos capitalistas é a América Latina, especialmente o Brasil.
Por seu tamanho, os Estados Unidos continuarão a crescer, mas o cidadão americano vai passar por apertos e os governos terão que cortar gastos. A dívida pública precisa ser reduzida, mas se os juros baixarem ainda mais corre o risco de haver fuga de capital, essencial para manter a produção e a arrecadação de impostos. Se aumentarem demais, o capital sai da produção e migra para a especulação.
É preciso cortar a própria carne, ou seja, seguir a cartilha que os próprios americanos ajudaram o FMI – Fundo Monetário Internacional, escrever: reduzir o déficit público cortando gastos, incentivar a produção, manter a taxa de juros em patamares equilibrados, concentrar investimentos, aumentar a produção, gerar empregos e possivelmente, reduzir impostos a fim de estimular a produção.
Enquanto isso, outros mercados, como o brasileiro, vão demonstrando mais saúde financeira, porque no passado, alguém se lembrou de lastrear o caixa, construir orçamentos mais enxutos, reduzir o déficit público, privatizar empresas e setores estratégicos que sob o comando da máquina pública eram ineficientes, estimular a produção e aumentar a geração de emprego e renda.
Nesse contexto, o Brasil é o país mais bem preparado para enfrentar a crise, embora tenha outros adversos, como baixo nível de escolaridade, deficiências em infraestrutura – o que pode comprometer a produção, necessidade de capital externo, burocracia excessiva, alta carga tributária e encargos trabalhistas que oneram o setor privado, elevando o custo dos investimentos. Ainda assim, diante da crise internacional se mostra como um mercado em plena expansão e grandes possibilidades.
É possível dizer que o momento é vantajoso para o investidor que pretende aportar capital em terras brasilis. A globalização proporciona benefícios de uma economia “mundializada”, mas com uma ordem de valores diferente daquela conhecida por outros países. Ao contrário da pujança econômica americana e europeia da última metade do século passado, a cultura econômica brasileira foi baseada em recessão, além de sucessivos e fracassados planos econômicos, que pavimentaram, de forma inversa, um caminho de duro aprendizado e muito sofrimento.
Com economia estabilizada, o suposto atraso em relação aos países desenvolvidos torna o País extremamente atrativo, principalmente por conta da boa nota de risco para investimentos de curto e médio prazo e tendência de melhora na nota para investimentos de longo prazo, que é o que mais importa para o capital produtivo, muito embora, na América do Sul, o Brasil ainda esteja um degrau abaixo do Chile. Porém, com um mercado consumidor mais amplo, melhor posicionamento estratégico e o cumprimento de metas fiscais, a realidade brasileira acena como boa oportunidade para o capital produtivo.
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Quem disse que é loucura?

Dizem que de médico e louco, todos temos um pouco. Sinceramente, não sei se Dalton Ghetti (49), brasileiro radicado nos Estados Unidos é louco, mas sua obra é simplesmente genial. Com algumas pequenas “ferramentas” incomuns – agulhas, faca de moldar, estilete etc, ele cria peças maravilhosas em grafite. Isso mesmo, na ponta de lápis – usados ou não. Marceneiro de profissão, Dalton ganhou espaço na internet e já foi tema de reportagem de revistas do exterior. Deixo vocês com algumas imagens de suas obras, que podem ser vistas em diversos sites, como o Bocaberta, o Sátiro ou o site do GNT, da Globo.com.
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