Revista Época

A Polícia Federal desmontou hoje um esquema de corrupção, tráfico de influência e fraudes em licitações nos Estados de Minas Gerais e Bahia e no Distrito Federal. A operação, batizada de “Pasárgada”, prendeu um juíz e servidores da Justiça, prefeitos, procuradores municipais, assessores, lobistas e advogados, envolvidos no esquema de liberação irregular de verbas do FPM – Fundo de Participação dos Municípios (saiba o que é o FPM clicando aqui e aqui, ou consulte aqui), com prejuízos para os cofres públicos que podem ultrapassar R$ 200 milhões.

Iniciada há oito meses, a investigação revelou que partindo de decisões judiciais negociadas, a verba federal era repassada aos municípios em débito com o INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social. Segundo a Polícia Federal, “ficou evidenciado no curso das investigações que os prefeitos contratavam, sem licitação, um escritório de advocacia, supostamente de um lobista, que oferecia vantagens indevidas a juízes e servidores da Justiça para obter decisões favoráveis e posteriormente repartia os honorários com os prefeitos”.

Foram mobilizados 500 policiais federais para cumprir 100 mandados de busca e apreensão e outros 50 mandados de prisão em Minas Gerais, na Bahia e no Distrito Federal. Além de policiais, compõem as equipes 23 analistas de finanças e controle da Controladoria Geral da União. Os nomes dos presos não serão divulgados por determinação da Justiça. Estão presos os prefeitos de Almenara, Cachoeira da Prata, Conselheiro Lafaiete, Divinópolis, Ervalha, Juiz de Fora, Minas Nova, Medina e Rubim, Salto da Divisa, e Timóteo, em Minas e de Itabela e Sobradinho, na Bahia. A cidade do 14º prefeito preso não foi divulgado.

Os investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, exploração de prestígio, fraude em licitação, quebra de sigilo de dados e lavagem de dinheiro, com penas que, somadas, podem chegar a 20 anos de prisão, além de sonegação fiscal a ser apurada pela Receita Federal.

DEFESA

Presos na operação “Pasárgada”, os prefeitos deram sua versão. A maioria afirma que não existem irregularidades nas contratações e que todos os processos foram autorizados pela Justiça Federal. A assessoria do prefeito de Juiz de Fora informou que no final do dia divulgará uma “nota oficial”. Em Divinópolis, a assessoria informou que às 14h haverá uma entrevista coletiva. O secretário de Imprensa de Conselheiro Lafaiete, Diarlhes Pider, informou que “o prefeito está tranqüilo”.

Em Cachoeira da Prata, não havia ninguém na assessoria de imprensa nem no gabinete do prefeito. Já a assessoria de imprensa de Timóteo (MG) afirmou que, como a investigação corre em sigilo, “não há nada a declarar”, mas prometeu uma “nota oficial” sobre o caso. A Prefeitura de Itabela (BA) informou que não havia ninguém para comentar a prisão do prefeito, pois não havia “confirmação” sobre o caso, mas os secretários se reuniriam para discutir o assunto.

(Colaboração: Comunicação Social SR/DPF/MG)

Foto: Revista Época

Veja os entes federativos – estados e municípios – bloqueados, clicando aqui.

Site da Polícia Federal: www.dpf.gov.br.

Acompanhe também pela Folha de São Paulo e pelo site G1, com imagens de prisões.

A revista Época publicou em março um estudo a respeito da corrupção no Brasil. Veja aqui.

Veja o que era e aonde ficava Pasárgada.

Leia a poesia “Vou-me embora pra Prasárgada”, de Manuel Bandeira e conheça um pouco sobre o poeta.



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