Lendas Urbanas
Não é de hoje que as lendas urbanas fazem parte do nosso cotidiano. Até um tempo quando não existia a internet, ou quando pelo menos a propagação da informação não era como hoje, elas demoravam a chegar até nós, pobres mortais. É quase impossível saber a origem desses falsos alertas ou “causos”, como diria um tio, lá do interior de Minas. Mas o certo é que se o cidadão parar para analisar cada um com atenção verá que não faz o menor sentido.
Toda semana chegam ao meu e-mail pelo menos umas três ou quatro mensagens desse tipo. Nas últimas duas semanas recebi seis e-mails de pessoas diferentes com o mesmo conteúdo. Antigamente isso causava certa irritação e após rápida pesquisa respondia ao emissário desfazendo toda aquela bobagem. Agora, nem a esse trabalho me dou. De certo que quando respondia ao amigos os tranquilizava. Numa ocasião recebi mensagem de uma amiga que parecia completamente desesperada. Dizia algo como: “atenção, urgente. Você não pode deixar de ler. Repasse a seus amigos e parentes. Isso é muito grave. Todos podemos estar em risco”.
Diante daquilo, óbvio, li o texto até o final do primeiro parágrafo. Segui o roteiro habitual e pesquisei constatando mais uma lenda. Em vez de responder-lhe o e-mail telefonei. Fora a própria quem escreva o recado que encimava o texto, alardeando o falso acontecido. Não me lembro ao certo, mas tratava-se de um suposto golpe na porta de um cinema em um shopping qualquer do Rio. Dias depois recebi a mesma mensagem, agora falando de caso semelhante em São Paulo. Por sorte li o segundo texto, mesmo sabedo do que se tratava e descobri uma façanha dos ladrões: no caso absolutamente inverídico e impossível, eles roubaram na Barra da Tijuca e momentos depois foram presos “por sorte”, na Marginal Tietê. Ri até não poder mais da situação inverossímil.
A verdade é que essas lendas urbanas, por mais infantis, causam temor na maioria das pessoas. Quem as propaga, ao contrário do que possa parecer, não está prestando nenhum serviço a quem quer que seja. Apenas estimula a continuidade de uma atividade que não tem qualquer mérito ou propósito, se não o de, em algum momento ou por qualquer motivo, gerar temor. A razão disso não sei ao certo, mas aos psicólogos deixo a tarefa de explicarem o que leva o ser humano a inventar esse tipo de (des)informação. Quem ganha com isso e o que ganha, são as minhas indagações mais frequentes.
Se fosse dar atenção a tudo o que leio na internet e a tudo o que recebo por e-mail, certamente não sairia mais de casa em dias de sol por medo do buraco na camada de ozônio causar câncer no cérebro ou no couro cabeludo. Também não sairia nos dias de chuva por conta dos resíduos tóxicos que retornam à terra com as gotas que caem das nuvens, nem tomaria Coca-Cola por conta de partes humanas perdidas por operários na fabricação do produto, ou mesmo beberia água mineral gaseificada artificialmente. De certo não assistiria televisão, já que a emissão de luz poderia afetar a minha retina, assim como deixaria de fazer milhares de coisas por conta daquilo que dizem causar danos irreversíveis. Também não atenderia ao telefone celular no posto de gasolina e muito menos falaria nesse maldito aparelho que segundo muitos, causa surdez e tumores malígnos, mas até hoje não há nenhum caso comprovado.
A mais recente boataria virtual que recebi dá conta de um suposto perfume oferecido por alguém, no meio da rua, sem mais nem menos, para um estranho. Quem o cheira, segundo a lenda devidamente desfeita, desfalece, desmaia ou seja lá o que, sendo é roubado (a) ou abusado (a) sexualmente. Já teriam sido registrados casos em Santa Catarina (Cambouriu e Chapecó), Rio e Brasília (São Paulo ficou de fora, dessa vez). Tudo não passa de invencionice baseada em um fato registrado em 1999, nos Estados Unidos, por uma funcionária da Coca-Cola, e até hoje não esclarecido. Nem a polícia local, pelo jeito, acreditou na história, publicada por um periódico da cidade de Mobile.
Veja abaixo links que dizem respeito ao assunto e lendas da internet. Para se livrar desses males, estes mesmos sites são indicativos confiáveis do que é ou não lenda urbana. A maioria é.
E você, acredita em tudo o que te mandam por e-mail, replica para o amigos, responde quando descobre que é mais uma lenda, não procura saber ou simplesmente ignora? Qual a sua atitude?
http://www.quatrocantos.com/LENDAS/95_perfume_eter.htm
http://balela.info/arquivo/perfume-com-tranquilizante-utilizado-para-assaltos/
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