Dilma ganha respaldo com “tolerância zero”
E lá se foi o sétimo ministro do governo Dilma Roussef; o sexto após suspeitas de irregularidades. Carlos Lupi (Trabalho) deixou o ministério após Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Agricultura) e Orlando Silva (Esportes). Destes, apenas Jobin não esteve envolto por acusações. Aos poucos a presidenta vai substituindo a herança deixada por seu antecessor e mandando um recado direto aos partidos aliados a respeito de sua postura.
Quando assumiu o governo, há menos de um ano, muita gente achava que a presidenta não conseguia identificar quais contornos daria à sua administração. Pouco mais de um ano depois, deixa claro aquilo que ela não quer. Com isso, a imagem internacional da primeira mulher a ocupar o cargo máximo da República está nas alturas. Ganha prestígio internacional, e com ele, poder. A ponto de ser a primeira dirigente mulher a abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Dilma mira em dois pontos fundamentais com a intolerância à corrupção, ou pelo menos, a escândalos: seu futuro político e do próprio PT e os investimentos externos. Sabe-se no mundo lá fora que um dos fatores que pesam contra investimentos no Brasil sempre foi a corrupção, associada à morosidade do Estado e outros fatores. Porém, a corrupção desacredita a máquina brasileira perante investidores estrangeiros e a presidenta não está disposta a passar de guerrilheira à vendilhona.
Internamente, em um momento no qual o Brasil clama por decência no serviço público e a Receita Federal investiga até seus próprios auditores, ela ganha força diante dos partidos aliados porque mostra quem tem a caneta na mão e inverte o papel com a base, deixando de ser refém ao expor feridas purulentas dos políticos tradicionais.
Até o momento, a postura firme da presidenta no quesito honestidade está ganhando respaldo internacional, força na mídia e simpatia junto à sociedade. Não é à toa que em setembro sua popularidade era mais alta que a de Lula e FHC, no mesmo período de governo, segundo pesquisa CNI/Ibope (veja aqui). Além disso, Dilma Roussef esvazia o discurso da oposição, que colou no governo de seu antecessor o selo de “o mais corrupto do Brasil”.
Com tolerância zero às falcatruas – pelo menos àquelas que vazam na mídia, a presidenta começa a pavimentar dois caminhos: o primeiro das sucessões estaduais, mostrando que o PT não está mais disposto a compactuar com irregularidades, sejam elas internas, seja dos aliados. O segundo caminho é o da sua própria reeleição, visto que com a saúde combalida do ex-presidente Lula – ícone e maior nome do PT, o Partido dos Trabalhadores precisará de um “plano B”, caso ele não possa – ou não tenha condições, de ser o candidato, como se imaginava que ocorreria após os quatro anos de Dilma.
No campo da economia o Brasil dá sinais de que tem “gordura” para queimar com suas reservas cambiais alcançando patamares inéditos. A redução da máquina do Estado, iniciada no governo FHC tem ajudado muito, e até o PT reconhece isso. É preciso, ainda, ajuste fiscal, redução de despesas, melhoria na infraestrutura e criação de nichos econômicos em regiões pouco desenvolvidas.
A crise europeia, pelo visto, não anda nem fazendo cosquinha – pelo menos por enquanto – na economia brasileira, apesar da inflação ter subido um pouco. Porém, é bom colocar as barbas – ou melhor, as madeixas – de molho, já que os Estados Unidos, nossos principais importadores, não andam lá tão bem das pernas. Melhor mesmo é reforçar as parcerias com os asiáticos, especialmente a China, que possui em caixa mais que o dobro do que a Europa inteira precisa hoje para se reerguer.
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