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Sarah Vaughan Ela era uma negra de voz aveludada com a música correndo pelas veias e uma alegria de viver impressionante. Sempre sorridente, quem não a conhecia não poderia imaginar que era uma das mais importantes vozes do jazz. Sarah Vaughan era apaixonada pelo Brasil e esteve aqui muitas vezes. Tinha amigos aqui, alguns deles em Petrópolis, onde passava temporadas hospedada na casa da família Carneiro Dias, donos do Diário de Petrópolis, em Corrêas. Aproveitava as manhãs de domingo para ir à feira – quem diria – e o fazia com toda a majestade que lhe era peculiar.
Certa vez, quando tinha mais ou menos dez anos, fui com meu pai a um jantar oferecido a ela. Eram mais ou menos umas 20 pessoas e aquela negra extremamente simpática e que se esfroçava para falar português, trajando um enorme vestido multicolorido, resolveu fazer uma graça. Deu uma canja, acompanhada apenas por um pianista. Foi maravilhoso estar sentado ali naquele chão, presenciando aquilo.
Sem conhecer essa história, meu amigo Marco Antônio Marinho me trouxe de volta essa lembrança da infância, guardada em um diretório que ultimamente tenho usado bem pouco, ao enviar o vídeo que infelizmente não sei colocar aqui na página para vocês. Mas o link está postado. Aproveitem e comecem bem o final de semana ao som de Fly me to the moon.


591445_52342986 Impressionante como é a relação do ser humano com o irreal ou o imaginário; a atração pelo fictício; se esse fictício for alarmante, acachapante, trágico ou mórbido, ganha força terrível, quase com o efeito de verídico. Estou me referindo às lendas urbanas, especialmente essas que circulam com força pelos e-mails de milhões de usuários da internet, com velocidade impressionante de repetição e em muitos casos de adaptação. Não sei ainda se as pessoas que criam estas mensagens o fazem por falta de algo melhor, por maldade ou excesso de bondade. Não consigo ver um objetivo específico, seja pela ótica do alerta, ou mesmo para obter algum lucro, o que sinceramente acho pouco provável.
Posso afirmar que este é um dos temas que mais despertam interesse ou curiosidade. Uma prova são as entradas aqui no blog por ferramentas de busca na internet. A expressão “lendas urbanas” foi a mais utilizada por internautas que procuraram alguma informação ou comprovação de algo relacionado ao tema. Desde 8 de julho de 2009, quando postei a primeira mensagem, foram 366 ingressos no blog com esse propósito. O pique foi no dia 3 deste mês, com 57 entradas, o que no período – desde a primeira postagem – leva a uma média de dez visualizações por dia.
Se por um lado é interessante, por outro chega a ser frustrante, não sob o ponto de vista do objetivo deste espaço, mas sob a ótica de como as pessoas vivem nesse mundo acelerado, tema de outra postagem recente. Tenho a impressão que à medida em que todas as coisas do mundo se aproximam de nós, com o encurtamento das distâncias, seja pela internet e outras tecnolgias avançadas, ou pelo simples fato de termos veículos que nos fazem chegar mais rápido aos nossos destinos, nos tornamos todos um pouco mais interessados nas coisas absurdas, preocupados com tudo, e com uma leve (ou não) tendência a acreditarmos muito mais no irreal, na coisa de veracidade duvidosa, no boato, na fofoca, na mentira, na farsa, nos fakes.
Na minha época de criança as lendas estavam relacionadas a histórias bem mais interessantes, a casos de amor, à princesa que beijava o sapo e ele se tornava um príncipe com quem ela casaria, ao gato de botas e a histórias (ou estórias) impossíveis de acreditarmos, como o Saci Pererê, a Mula sem Cabeça, a Cuca. Devo admitir, no entando, que a maioria delas possuem um elemento perverso de ameaça ou “coisa ruim”. Portanto, não é de hoje que a Humanidade usa de artifícios sórdidos para amedrontar – especialmente às crianças, com o objetivo de amansar seus ímpetos.
Meu pai, por exemplo, repórter policial, fez o favor de me apresentar ao “Monstro das Videiras”, um sujeito acusado e condenado por cometer vários assassinatos numa guerra entre grilerios no Vale das Videiras, em Petrópolis, onde morávamos. Claro que ele permeou meus sonhos de menino com dez anos por muito tempo. Sempre achava que apareceria no basculante da cozinha de nossa casa, no meio da noite, justo quando eu me levantava para ir ao banheiro e beber água. Toda vez que eu me recusava a fazer algo que ele queria ou dava uma resposta atravessada – o que é da minha natureza, ele ameaçava com a aparição do sujeito.
Já a minha mãe foi involutária comigo e meus irmãos, ao cantar musiquinhas que remetiam ao sofrimento ou à uma ameaça, como “sapo cururu”, “bicho papão, sai de cima do telhado”, e outras tantas que nem lembro mais e sempre me recusei reproduzir para meus filhos.
Lembro ainda que na vizinhança de onde morávamos, uma avó de nove netos, responsável por ficar com eles enquanto os pais trabalhavam, senhora de andar arqueado e olhar cabisbaixo cuja figura remetia à bruxa da Branca de Neve, ameaçava seus netos com a leitura da Bíblia. Se concentrava quase sempre nas passagens que citavam Heródes e sua busca assassina ao Salvador. Vez ou outra, quando os dois garotos da minha idade estavam jogando bola com a gente na rua, ela gritava da varanda: “se não vierem tomar banho agora eu vou chamar o Rei Heródes para levas vocês”. Era tiro e queda!
Apesar disso, naquela época, me parece, essas ameaças tinham um certo sentido lúdico. Nós mesmos fazíamos brincadeiras com situações inverossímeis dessas historinhas. Vez ou outra sentávamos na calçada, no princípio das noites para contarmos “mentiras” e “causos” que ouvíamos de nossos parentes. Hoje, porém, vejo pouca serventia nessas mensagens alarmistas. Semanalmente recebo alertas de e-mails com vírus que jamais chegaram, outros atribuindo à empresas de informática ajudas falsas, doações inverídicas de computadores, fotos de crianças desaparecidas cujos números de telefone para informações não existem e e-mails falsos, casos policiais que jamais foram registrados, alertas de doenças que jamais foram pesquisadas, enfim, um sem número de inutilidades que servem apenas para ampliar o rol de lendas que circulam pela internet.
Entretanto, nunca chegaram no meu e-mail os alertas contra programas-espiões, avisos de tentativa de fraude com o uso das logos do TRE, TSE e da Receita Federal, mensagens de pessoas informando que estão enviando “aquelas nossas fotos” que nunca foram tiradas e que são na verdade programas-espião e um outro sem número de tentativas de ataques, nunca antes anunciados.
Claro que nesse mundo cruel, revigorado pela força e abrangência da internet muita coisa pode acontecer. Se os alarmes falsos têm o objetivo de nos deixarem paranóicos, informo que isso está acontecendo com muita gente. Portanto, tome cuidado! Algo pode acontecer um dia, quando você menos esperar. Mas não se desespere.


Festival de TeatroVai começar um dos melhores festivais de teatro amador do interior do Estado do Rio. O 3° Festival de Teatro de São João da Barra está com inscrições abertas até o dia 11 de setembro e a ficha de inscrição pode ser baixada no blog do evento. Realizado pela Prefeitura local em parceria com o Grupo Teatral “Nós na Rua”, acontecerá entre os dias 13 e 24 de outubro, no Cine Teatro São João – conheça a história e confira a programação -, um prédio centenário completamente restaurado pela Prefeitura, com expectativa de público de oito mil pessoas e oferecendo quase R$ 10 mil em prêmios nas categorias adulto e infantil.
Além da ficha de inscrição, no blog o interessado poderá ver fotografias da primeira e da segunda edições. Alí também há uma série de links da área de interesse. Vale a pena conferir.
Outro blog que merece ser acompanhado é o de Silvano Motta, um operário da cultura em São João da Barra. Sempre envolvido com o movimento cultural, Silvano é um multifacetado amante de todas as vertentes. Atualmente, além de suas ocupações profissionais, empresta o tempo que lhe resta às artes cênicas, seja como ator, diretor ou produtor da Associação Cultural Teatral “Nós a Rua”, sendo responsável por vários projetos, um deles o Noite Intensa.


Luis Fabiano comemora o segundo gol dele e o terceiro do Brasil, na vitória de 3 a 1 sobre a Argentina

Luis Fabiano comemora o segundo gol dele e o terceiro do Brasil, na vitória de 3 a 1 sobre a Argentina

Há muito tempo que o futebol mundial não é mais aquela beleza plástica de décadas passadas. Nada de seleções excepcionais, como a da Hungria ou do Brasil de 1958, o Brasil de 1970, o Carrocel Holandês de 1974 e o mais injustiçado de todos os escretes nacionais – a seleção de Telê de 1982. Futebol virou business e com isso muita coisa mudou, inclusive a forma de jogar. O vigor físico passou a valer mais, em muitos casos, do que a técnica, mas as seleções do Brasil razoavelmente bem armadas e com propósito superam qualquer outra.
É por isso que o Brasil lidera as eliminatórias para a Copa da África do Sul e já carimbou o passaporte para cruzar o Atlântico. Não foi um futebol primoroso aquele mostrado na última partida contra a Argentina – que garantiu a classificação, mas foi objetivo e prático, como reconheceram os próprios argentinos que sabem que eles mesmos não estão com essa bola toda, motivo pelo qual correm o risco de ficar de fora.
Impressionante mesmo é ver que até a imprensa argentina, que costuma desdenhar de nós, embora reconheça a nossa força dentro das quatro linhas, rendeu-se ao que eles chamam “dunguismo”: um futebol pragmático, focado, tendo como objetivo a vitória. Está no Clarín, de Buenos Aires e todos podem conferir o que os hermanos acharam da nossa seleção e da deles também.


722360_46197785Com certeza têm umas coisas que andam um tanto esquisitas nesse mundo. Antigamente, escrever significava apenas escrever, como cozinhar era cozinhar, beber era beber, e por aí vai. Com o novo século todas essas ações ganharam um adjetivo. Lendo o jornal deste domingo descobri que agora existe uma tal de “cozinha molecular” – estou citando o “agora” porque é a primeira vez que leio algo assim. Não faço a menor idéia do que é isso e nem tenho muita curiosidade em descobrir o que seja. Já ouvi falar também em “cozinha orgânica” e “menu degustação”, como se todo menu não fosse para ser degustado. Ou estou errado?
Outro dia, lendo a crítica de um livro fiquei sabendo que o autor em questão também era “orgânico”. Isso me levou a pensar o que viria a ser um escritor “inorgânico”. Possivelmente essa segunda categoria seja atribuída – supondo o que pensa o tal crítico – a gente como aquele Isaac Asimov, um “escritorzinho” russo-americano (se é que isso existe) que publicou – só, e nada mais que isso – uns 500 volumes sobre ficção científica e não ficção, em diversas áreas de interesse. Aliás, o adjetivo “orgânico” passou a ser atribuído a uma série de verbos, inclusive ao plantar, o que, segundo um amigo meu, serve mais para justificar preços mais caros do que vantagens para o consumidor. E beber? Antigamente eu bebia, você bebia, nós bebíamos, mas hoje, há aqueles que “degustam”.
A verdade é que no século 21 tem tanta gente especializada em tudo, criando ou atribuindo tantos adjetivos às coisas que o mundo atual, como se já não bastasse ser o mais normatizado de toda a existência humana, transformou-se numa imensa seleção de especialistas. E destas especialidades escolhi escrever sobre estas três ações – escrever, cozinhar e beber – porque são as mais próximas do meu microuniverso, sendo praticante delas, como profissional, apaixonado ou interessado há tanto tempo quanto me entendo por gente.
Desde muito jovem – e isso vai um bom tempo – sou apaixonado por cozinha. Não chego a ser um profundo conhecedor de nada, mas acredito que tenho razoável cultura geral nesse quesito. Na verdade, prefiro conhecer um pouco de tudo nesse campo do que me especializar em algo que não me levará a nada porque não vou viver disso. Sou um cozinheiro de final de semana que realiza uma ou outra experiência. Antigamente me considerava um cozinheiro melhor, mas ultimamente, assistindo a tantos programas de televisão voltados à culinária, ou melhor, gastronomia, me recolhi à insgnificância de ser um mero apreciador de boas receitas.
Até um tempo atrás, além de gostar de cozinhar, pensava conhecer um pouco sobre as bebidas, em especial as que mais aprecio: vinho, uísque, cerveja e a boa cachaça brasileira. Um dia me vi em papos de aranha quando sem mais nem menos, após ser convidado por um amigo para jantar, ele pediu que eu escolhesse o vinho. Eram tantos na “carta” do restaurante, com preços e qualidades tão variados que cheguei à conclusão que os meus conhecimentos se resumem apenas e tão somente ao gosto pessoal. Optei por não arriscar nenhuma indicação “técnica”, sob risco de cometer uma gafe enóloga.
E escrever? Este é o meu ofício há anos. Vivo disso há pelos menos duas décadas, “vendendo” meus textos a jornais, revistas e outras publicações e emprestando meus escassos conhecimentos a quem precisa dos meus préstimos profissionais, o que em tempos de globalização me obriga estar atento à tendências e obviamente, às reformas dessa tão complicada e viva língua, o português.
Isso tudo me deixa extremamente confuso até porque considero que são muitas transformações em curto espaço de tempo para um ser humano dotado de Q.I. normal. As preocupações com estética, estilo, forma, conteúdo, combinações, etc., me deixam num completo vazio existencial e às vezes me causam um “apagão” tão sinificativo que simplesmente me fazem sentir um alienado.
Se o mundo do século atual – eu sou do século passado, então relevem algumas coisas – é tão apressado em tudo, creio que minha marca registrada é ser daquele tipo que aprecia as coisas mais lentas, o mundo menos corrido, a simplicidade em tudo e a época em que o escrever era simplesmente escrever – claro que com precisão e honestidade, cozinhar era tão somente cozinhar e beber era algo que dependia só e tão somente de um bom motivo, um líquido apreciável, um local interessante e um papo agradável com amigos.
Que me perdoem os preciosistas, os vanguardistas e os maiorais, mas diante de tudo isso ainda prefiro ser antiquado.


D João VI - Debret
Durante aproximadamente 15 anos, Eduardo de Oliveira exerceu o jornalismo. Foi repórter, redator e editor de jornais em Petrópolis, na região Serrana do Estado do Rio e depois na chamada grande Imprensa. Mas desde cedo sempre manteve – mais por hobby do que por outra razão – uma atividade “paralela”, ora na música, ora lecionando em cursos preparatórios. Chegou a pensar em ingressar na carreira militar, seguindo os passos do pai, mas havia algo que o puxava para as redações. E assim foi. Após passagens pelos jornais interioranos, chegou ao O Globo, depois ao jornal O Dia, onde alcançou a subeditoria, e também à revista Veja.
Ao longo de todo esse tempo nutriu uma paixão pela história, especialmente a do Brasil. Apesar de dizer que não é historiador, guarda um acervo considerável e porque não dizer, invejável, sendo referência de amigos e familiares. Com o tempo, dedicou-se ao ensino universitário na faculdade de Comunicação da Universidade Estácio de Sá, especializou-se em jornalismo cultural e tornou-se mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nos últimos dois anos, conciliando a atividade profissional com uma paixão, entregou-se a um desejo antigo: escrever um livro.
Não poderia ser diferente. Criterioso na apuração, dono de um texto objetivo e instigante, preciso na ordenação das frases, Eduardo acabou por produzir um documento histórico que seduz brasileiros interessados em aspectos pouco revelados da nossa história quanto a franceses apaixonados. “A francesa história do Brasil”, que terá noite de autógrafos no dia 24 de setembro, na Livraria da Travessa, em Ipanema, Rio de Janeiro, ainda vai dar muito o que falar. Arriscaria a dizer que esta é uma emblemática missão brasileira que cruzando o Atlântico vai encontrar em outras terras a razão de muitas das nossas tradições.

1 – Como nasceu a idéia de “A francesa história do Brasil”? Quando você teve o estalo e decidiu escrevê-lo?

Embora não seja historiador, sempre gostei muito de ler sobre a história do Brasil. Aos poucos fui constatando que, ao longo de cinco séculos, a presença francesa foi muito marcante – bem mais do que a gente poderia supor apenas observando o que aprendeu na escola. Por outro lado, percebi que também na França existem, igualmente, várias práticas e saberes na sociedade que, de certa forma, influenciaram ou criaram práticas, saberes e instituições no Brasil.
2 – O livro vem ganhando repercussão aqui e na França, você está surpreso com isso?

Obviamente fico feliz que haja esta aceitação. Quanto aos franceses, a divulgação está apenas começando. Espero sinceramente que a boa aceitação continue por lá – porque, afinal, o trabalho também foi feito em função do público francês.

3 – No Brasil, dinheiro não se pode esperar de trabalho literário, mas mesmo assim você já pensa em um segunda edição, revista e ampliada?

Toda a iniciativa do trabalho tem sido particular, com o apoio de inúmeros amigos. Mas acredito sinceramente que existe um potencial de mercado para o livro – e isso pode atrair uma grande editora. Com isso, ele poderá contar com uma infraestrutura que não podemos oferecer e, com isso, pode, sim, sugir numa segunda edição, conforme você sugere.

4 – Na sua opinião qual o momento mais emblemático dessa relação do Brasil com a França?

Essa “influência” da França se deu em dois âmbitos: nos fatos e nas idéias. Num primeiro momento, nos séculos XVI e XVII, a presença dos franceses aqui foi decisiva para que os portugueses finalmente começassem a ocupar e colonizar o território. Dois bons exemplos desse período são as cidades do Rio e de São Luís, fundadas apenas em virtude da presença francesa. Em outro momento, no século XIX, quando o Brasil se estabelece como um país soberano, são os franceses que vão ditar não apenas a moda – mas as regras para a criação de instituições, costumes e rumos da cultura, da política, da ciência, etc. Como “metáfora” para este fenômeno cito no livro, como exemplo, o caso da bandeira do Brasil: foi concebida por um francês.

5 – Além desse trabalho há outra pesquisa em curso ou você pretende manter o foco?

Sim, claro, tanto quanto as obrigações me permitem tenho me lançado à pesquisa de outros temas. Lamentavelmente não posso dedicar-me tão somente a elas, ao menos por enquanto. São poucos temas, ligados igualmente ao Brasil, à construção do nosso país e da nossa sociedade.

Imagem: Retrato de D. João VI, pintado pelo francês Jean Baptiste Debret (1768-1848), que aportou no Rio de Janeiro com a Missão Artística Francesa wm 1816, um ano após a deposição de Napoleão Bonaparte, responsável pela fuga da família imperial de Portugal para o Brasil.


Eduardo de OliveiraQue o Brasil e a França mantém uma ligação histórica estreita não há dúvida. Mas até bem pouco tempo faltava quem falasse disso com propriedade. Até que o jornalista Eduardo de Oliveira resolveu iniciar as pesquisas para escrever “A Francesa História do Brasil”, lançado dia 18 de julho, no Museu Imperial, em Petrópolis, com o apoio daquela instituição e da Aliança Francesa. Agora, o livro terá uma segunda noite de autógrafos, na Livraria da Travessa, em Ipanema, Rio de Janeiro, dia 24 de setembro, a partir das 20 horas.

Jornalista e professor universitário, especializado em jornalismo cultural e com Mestrado em Ciência Política pela UFRJ, o autor tem passagens pelos jornais O Globo e O Dia e revista Veja. Nascido em Bras de Pina, esse carioca da gema sempre cultivou o gosto pela história e consequentemente pela pesquisa. Durante dois anos debruçou-se sobre livros e publicações na internet, mas foi in loco, na França, que percebeu os traços mais fortes da influência francesa no cotidiano e na vida dos tupiniquins, desde o Brasil Império.

Trabalho sério, metódico, documento histórico precioso, o livro vem sendo objeto de estudo de pesquisadores franceses, que fazem referência a ele no site do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre o Brasil. Aqui a publicação também ganhou um site, onde pode ser feito o download do primeiro capítulo. Pela página também é possível conversar com o autor, tecer comentários ou mesmo encomendá-lo. Boa leitura!


1097062_95884452Todo o cuidado é pouco. Nesse mundo de hoje, infelizmente a maldade impera e há gente para tudo. Se um sujeito saca de uma arma e sem mais nem menos sai atirando a esmo matando pessoas, o que não se faz com um computador a fim de obter vantagens indevidas? Quem não tem boa intenção é capaz de qualquer coisa. Não costumo dar ouvidos para alertas vindos por e-mail, mas como recebi uma mensagem – que reproduzo lá embaixo – de cinco pessoas diferentes, duas delas com certo nível de conhecimento em informática, creio que não custa nada alertar, muito embora pense que não passa de mais uma lenda da internet.

Independente de qualquer coisa, existem umas regrinhas muito básicas que devem ser seguidas por qualquer usuário de computador. Elas podem ajudar a evitar dores de cabeça, porque não é lenda, e sim constatação, que há uma série de programinhas-espião circulando pela rede, bem como hackers invadindo sites de bancos e criando páginas falsas com sistemas que armazenam seus dados e depois são utilizados, causando dano moral e material. Vamos a elas, mas antes de mais nada, a mais importante de todas: evite navegar por páginas desconhecidas e opte por manter bloquedos os pou-pops em seu computador.

  1. Ative e mantenha atualizado seu programa anti-vírus. Escolha um bom programa e que seja compatível com sua máquina. Evite ter mais de um programa porque eles podem gerar conflito e em vez de proteger seu equipamento, causar falha no funcionamento. Além disso, um programa pode achar que o outro realizou o trabalho e os dois não servirem para nada;
  2. Nunca abra e-mails se você não tiver certeza que conhece quem os mandou;
  3. Nunca abra anexos caso tenha dúvida que quem assina a mensagem seja realmente aquela pessoa que você está pensando, ou anexos com extensões desconhecidas ou estranhas. Se tiver dúvida, ligue para quem mandou a mensagem. Se um amigo nunca envia anexos e você recebeu uma mensagem eletrônica, supostamente dele com um, cuidado: pode ser que o e-mail dele tenha sido invadido;
  4. Nunca adicione no Messenger alguém que você tem dúvida se conhece. Deixe uma mensagem pedindo a seus amigos que se identifiquem quando forem te adicionar. Eles podem fazer isso quando mandam o convite, ou enviando um e-mail para você. Evite postar no Orkut ou sites de relacionamento seus dados pessoais, telefone, endereço do MSN e outros. Jamais passe pelo Messenger, por recado ou mesmo depoimento em sites de relacionamento, números de identidade ou RG, CPF, de cartão de crédito, contas de banco e especialmente senhas. Não deixe o Messenger aberto enquanto não estiver usando-o e evite colocá-lo em modo de abertura automático, especialmente se o seu computador for utilizado por mais de uma pessoa. Isso pode evitar outros problemas também.
  5. Fique alerta para as mensagens de segurança da informação contidas no site do seu banco. O Itaú, por exemplo, possui uma política de segurança da informação excelente para usuários de internet e ainda assim não está livre de fraudes. A maioria dos bancos não envia e-mails pedindo que você atualize seu cadastro ou confirme informações, como números de identidade ou CPF. Se isso acontecer, desconfie. Se confirmar com o banco e eles disserem que mandaram o pedido, continue desconfiando. Se ligar e pedirem que você digite a senha no teclado do telefone, desconfie mais ainda;
  6. Jamais digite os números do seu cartão de segurança bancária, a não ser quando estiver fazendo alguma operação que o exija. Digite apenas um conjunto de números e uma única vez. Normalmente a mensagem que aparece na tela pede que “digite os números da posição tal”. Nesse caso o mais seguro é possir um Token. Se aparecer uma tela pedindo que você confirme todos os números de todas as posições do seu cartão de segurança, feche todos os programas, reinicie ou de preferêcia desligue o computador e chame um técnico da sua confiança. Explique a ele o que aconteceu. Normalmente quando esse malware é ativado na máquina o usuário tem dificuldade até mesmo em fechar a página ou desligar o computador, por isso não se desespere: force o desligamento da máquina, mesmo que para isso tenha que retirar o fio da tomada.
  7. Certifique-se que você entrou realmente no site do seu banco. Algum hacker pode ter criado um site falso, ou seu computador pode estar com algum programa-espião que o remeteu para uma página qualquer de alguém mal intencionado. Geralmente os sites de bancos brasileiros possuem a extensão “.com.br” (ponto com ponto br). Se não tiver essa extensão, ligue e certifique com seu banco qual o endereço dele na internet. Além disso há outras formas de verificação: a maioria dos sites bancários começa o endereço com “wwws.nome do banco”. Esse “s” significa security, em português “seguro”. Caso não tenha o “esse”, procure o ícone de um cadeado fechado no próprio campo do endereço ou no final da página. Caso fique em dúvida, não abra nem digite nenhum número.
  8. Se você acessou o site do seu banco e ele pediu a confirmação de dados como identidade ou RG e CPF, saia. Você provavelmente acessou o site errado. Anote o endereço que apareceu lá em cima no browser ligue para o banco e informe. Caso isso tenha ocorrido, chame um técnico de sua confiança e peça a ele para verificar os programas instalados em sua máquina. Provavelmente você inadvertidamente instalou um malware.
  9. Comprar pela internet também exige cuidados. Em geral os mesmos que você tem quando acessa sites de bancos, mas o primeiro deles é dar preferência por comprar em empresas que você já conheça. Atenção: estes sites também podem sofrer ataques de hackers, assim como os sites de bancos, por isso tome os mesmos cuidados. Se você não conhece a loja, ou porque reside em outra cidade, ou porque ela é apenas virtual, tente saber se algum amigo já realizou alguma compra. Além dos problemas com a segurança dos seus dados pessoais e com o número do cartão de crédito, você reduz as chnces de recorrer à Defesa do Consumidor por receber um produto defeituoso, diferente do que foi descrito no ato da compra, ou até que não receba;
  10. Certifique-se se a loja mantém endereço real e telefone. Se tiver telefone, ligue. Sai mais barato uma ligação interurbana do que adquirir um bem e não recebê-lo. Se possuir apenas número de telefone celular, desconfie. A existência de número de telefone fixo não impede nenhuma fraude, mas pode ser um indício de que o negócio é sério. Contudo, não deixe de verificar todas as informações possíveis e disponíveis. Ao falar com a loja, peça o número do CNPJ e inscrição estadual caso não estejam visíveis no site. Sem estes números a loja não poderá fornecer nota fiscal, garantia mínima que ampara o comprador e nesse caso trata-se de comércio informal. De posse dos números de CNPJ e inscrição estadual, você pode acessar o site da Receita Federal e verificar se o cadastro da loja está ativo. Essa é uma garantia mínima de que ela existe. No site da Receita você digitará apenas o número do CNPJ, mas se for uma empresa comercial – e não de serviços – ela obrigatoriamente terá em um dos campos do cadastro a inscrição estadual e você poderá confirmar se o número é o mesmo fornecido pela loja. Se não for, desconfie. Para adquirir um bem usado ou mesmo novo de “particular”, ou seja, de alguém que anunciou na internet mas não é loja, tome o máximo de cuidado possível, pedindo números de identidade ou RG, CPF, endereço, telefone fixo, telefones de referência. Se a pessoa for séria não se importará em lhe fornecer dados que comprovem o que diz e mesmo assim ainda poderá haver algum risco. Todo mundo é honesto até que se prove o contrário, mas depois que você depositar o dinheiro na conta do sujeito vai ficar difícil reavê-lo.

Estas dicas não garantem que você esteja livre de fraudes. Como não sou especialista em segurança da informação pode ser que alguma coisa me tenha fugido, apesar dos cursos que fiz nessa área. O ideal é você ler, acompanhar e estar alerta, mas nada em excesso, sem paranóia. Apenas tome cuidado, sempre. Se por acaso você leu as dicas e depois disso foi vítima de alguma fraude ou teve algum problema, sinto muito. Isso significa que você precisa de uma reciclagem sobre uso de computadores, internet e outras coisas básicas. Nesse caso, só poderei lamentar.

Em reclação à mensagem que recebi por e-mail e citei lá em cima, aqui vai a íntegra:

Está circulando na internet uma nova fraude: roubam seu endereço do Hotmail, mudam a senha e pelo Messenger ou e-mail entram em contato com todos os seus amigos, obviamente fazendo-se passar por você, dizendo que você está com grandes problemas econômicos e que precisa urgente de um empréstimo. Pedem que depositem o dinheiro em uma determinada conta corrente, ou então pedem um número de cartão de crédito ou documento similar. Ou seja, usam seu nome como se fosse você.

Alterando, a senha você não terá como entrar nas suas mensagens para alertar os seus contatos.

Fale com todos os seus amigos que NÃO ACEITEM o contato sonia_cabrilis de Hotmail, porque é um virus que formata seu computador, e se for aceito por algum contato seu, automaticamente você estará infectado!

Copie e envie esta mensagem para todos os seus contatos !

PRESTE MUITA ATENÇÃO:

Como se não bastasse, você pode receber um e-mail com uma apresentação do Power Point chamado “La vida es bella” (‘la vita è bella’) que aparentemente é inofensivo, mas… NÃO ABRA DE MANEIRA NENHUMA E DELETE-O IMEDIATAMENTE.

Se esse arquivo for aberto aparecerá em seu monitor uma mensagem que diz: “já é tarde demais, a vida não é mais bela!”. Em seguida você perderá tudo o que tiver no computador e o remetente da mensagem terá acesso ao seu computador em seu lugar; acessará seu e-mail e tudo o mais!
Esse é um novo vírus que começou a circular na rede sábado passado. Temos de fazer DE TUDO para bloquear este novo vírus!
A UOL já confirmou sua periculosidade e os softwares antivírus não conseguem detê-lo. O vírus foi criado por um hacker que se autodefine o “dono da vida” e seu objetivo é destruir os computadores domésticos
para lutar contra a Microsoft. por isso usa a extensão PPS.

ENVIE ESTA MENSAGEM A TODOS OS SEUS CONTATOS. ASSIM, PODEREMOS AJUDAR UNS AOS OUTROS.

Está circulando na internet uma nova fraude: Roubam seu endereço Hotmail, mudam a senha e, através do messenger e e-mail entram em contato com todos os seus amigos, obviamente fazendo-se passar por você, dizendo
que você está com grandes problemas econômicos e que você precisa urgente
de um empréstimo, pedindo que depositem o dinheiro em uma determinada conta corrente, ou então pedem um nº de cartão de crédito ou documento similar
(REPITO, sempre no SEU nome, como se fosse você ). Alterando, a senha você
não terá como entrar nas suas mensagens para alertar os seus contatos.
Fale com todos os seus amigos que
NÃO ACEITEM o contato Sonia_cabrilis de Hotmail, porque é um virus que formata seu computador, e, se for aceito, por algum contato seu, automaticamente você estará infectado!
Copie e envie esta mensagem para todos os seus contatos !

PRESTE MUITA ATENÇÃO!!

Como se não bastasse, você pode receber um e-mail Power Point chamado
‘la vida es bella’ (‘la vita è bella’) que aparentemente é inofensivo, mas,
NÃO ABRA DE MANEIRA NENHUMA E CANCELE-O IMEDIATAMENTE!!!!

Se esse arquivo for aberto, seu monitor lhe mostrará uma mensagem que diz :’já é tarde demais, a vida não é mais bela!’. Em seguida você perderá tudo o que tiver no computador e o remetente da mensagem terá acesso ao seu computador em seu lugar; acessará seu e-mail e tudo o mais!
Esse é um novo vírus
que começou a circular na rede sábado passado.
Temos de fazer DE TUDO para bloquear este novo vírus!
A UOL já confirmou sua periculosidade e os software antivírus não conseguem detê-lo. O vírus foi criado por um hacker que se auto-define o ‘dono da vida’, e o seu objetivo é o de destruir os computadores domésticos
para lutar contra a Microsoft; por isso usa a extensão .. pps.

ENVIE ESTA MENSAGEM A TODOS OS SEUS CONTATOS. ASSIM, PODEREMOS AJUDAR UNS AOS OUTROS!!


Alexandre Rivero: do humor ácido ao naturalismo

Alexandre Rivero: do humor ácido ao naturalismo

Lá pelos idos de 1992, ainda no século passado, eu editava um semanário de enfoque político em Petrópolis, região serrana do Estado do Rio, chamado Folha de Petrópolis. Se jornal do interior é pequeno e sobrevive com dificuldade, imagine um semanário em uma cidade cujos jornais diários são tradição; imagine nesse cenário ser um jornal com uma linha independente, tendendo, claro, ao oposicionismo. O resultado era pouco dinheiro e muito trabalho.

Pois é. Foi nesse período que conheci Alexandre Rivero, apresentado por meu pai, Mano Diniz, repórter de polícia de um dos diários locais, o Diário de Petrópolis, primeiro jornal em que trabalhei. Na época procurava alguém com um traço diferente para fazer a ilustração de uma matéria focada em três vereadores da situação, que embora fossem meus amigos, não discursavam, não discutiam e não encaminhavam nada. Apenas atendiam ao comando do então prefeito. A manchete da época foi “Não ouço, não falo, não vejo…” e a ilustração pretendia seguir a linha daquela imagem conhecida dos três macaquinhos tapando ouvidos, boca e olhos.

Quando comentei com meu pai que estava precisando de um chargista – mesmo já tendo um no jornal – ele me apresentou a Alexandre Rivero e começamos uma conversa. Não lembro se ele chegou a fazer a ilustração, mas o fato é que pouco tempo depois estávamos trabalhando juntos. Passou a assinar semanalmente uma coluna de crítica política ácida, que ardia nos olhos de políticos locais. Tão inteligente, quanto contundente, rendeu boas polêmicas, mas jamais, nem a mim e nem ao jornal, qualquer processo, mesmo sendo comum na época, assessores do então prefeito processarem jornalistas.

Rivero é sarcástico, incisivo, desafiador, contestador na medida certa e idealista, talvez um dos poucos que ainda reste por aí. Capaz de indignar-se com injustiças e não abrir mão de seus propósitos, acabou deixando a veia artística digamos em segundo plano. O humor, então, virou coisa do passado, pelo menos profissionalmente. A vida tem dessas coisas. Mas com certeza sua arte, que já foi vista em meio mundo, continuará presente e ele, na medida do possível, vem dando vazão ao que a alma não cala.

Hoje Rivero se dedica, além do escritório de contabilidade, a retratar em aquarelas, as aves nacionais, algumas a caminho da extinção. Se o humor jornalístico da serra fluminense perdeu a marca desse carioca com raízes gaúchas, o naturalismo ganhou um artista dos melhores. Traço firme, um olhar como poucos, suas obras já foram apreciadas em vários países, em exposições realizadas em 2004 e 2006. Em 2004 foi lançada no Rio de Janeiro a primeira exposição sobre a descoberta do mastodonte brasileiro que habitava as savanas pré-históricas do Brasil Central.

Preparação para a exposição do Mastodonte Brasileiro

Preparação para a exposição do Mastodonte Brasileiro

Blog: Em que você está trabalhando nesse momento?

Alexande Rivero: Estou prestando assessoria para uma vereadora de Caxias (Duque de Caxias, na Baixada Fluminense), trabalhando no meu escritório de contabilidade, fazendo umas pinturinhas e mantenho uma coluna de política no Jornal de Itaipava (Petrópolis).

Blog: Você deu uma guinada em seu trabalho. Quando nos conhecemos tinha uma linha voltada ao humor e à criação publicitária, mas agora está trabalhando com taxidermia e pintura em aquarela. O que levou à essa mudança?

Rivero: Pois é, a mídia impressa vive um momento de crise e quase não há mais espaço para o cartum e a charge. Essa forma de expressão perdeu muito espaço à medida que as pessoas vão se robotizando e perdendo o espírito crítico. Sendo assim, o jeito é mudar de ramo. O mercado publicitário também se restringiu muito nos últimos anos.

Blog: Nos últimos anos você ganhou prêmios e realizou exposições. A exposição em Genebra (Suíça), foi a mais importante? E dos prêmios, qual você destacaria?

Rivero: Parece que na Europa a pintura naturalista é mais apreciada. Aqui, por ser um país sem cultura formal, o mercado de arte é restrito a “panelinhas” e a grupos que impõem uma só tendência. Fico feliz por ter podido expor na Espanha, Suíça, Portugal e França com bastante sucesso. Mas é triste não ter o mesmo resultado em sua própria terra…

Blog: Quando você trabalhava com humor a crítica ácida aos políticos era uma marca indelével. Como o humorista Rivero avalia o momento político brasileiro e todo esse desgaste causado pelas denúncias contra a família do presidente do Senado e o possível envolvimento de integrantes do governo Lula em sucessivos escândalos?

Rivero: Pois é, parece mentira mas a política perdeu a graça. Eles perderam a vergonha de se mostrar como realmente são. Sabem que a falta de uma educação formal produz pseudo cidadãos, pessoas incapases de decodificar as informações e formular opinião. Sendo assim, reagem somente a estímulos diretos como a compra de votos, por exemplo. Em dois dias não lembram mais em quem votaram. É o caldo de cultura perfeito para políticos corruptos. Somente quando, um dia, passarmos a exigir educação de qualidade poderemos ter cidadãos de fato. Quanto à minha atuação, ela se extinguiu à medida que os jornais do interior aumentam a dependência dos recursos de governos. Como manter alguém que os critica se o jornal depende dos recursos do criticado para sobreviver? É por isso que a coluna do Rivero morreu e não volta mais.

Blog: Ainda na linha do humor, mas tratando de coisas mais amenas… e o futebol do Rio, heim!!! Você acha que o Fluminense retorna à Segundona? Pelo jeito, dos quatro grandes só o Vasco vai se safar de um vexame! (só para constar, eu sou flamenguista).

Rivero: Estamos presenciando o resultado de anos de maracutaia no futebol carioca. Realmente um time não pode falar do outro; estamos todos na rabeira. Em breve a segundona vai se chamar Copa Rio… risos!!!!

Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho realizado por Alexandre Rivero basta visitar seu site, clicando no link ao lado.


Carla e Júlio Bueno na reunião com os produtores rurais

Carla e Júlio Bueno na reunião com os produtores rurais

Em reunião hoje no município de São João da Barra, no Norte do Estado do Rio, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, admitiu que houve erro e precipitação na edição de dois decretos que declararam de “utilidade pública para fins de desapropriação” áreas contíguas ao Complexo Portuário do Açu, capitaneado pelo grupo EBX, do empresário Eike Batista. A reunião foi convocada pela prefeita Carla Machado (PMDB), que destacou a importância do empreendimento para o desenvolvimento econômico, mas ressaltou a relevância das áreas ocupadas em sua maioria por produtores rurais.

Durante a reunião o secretário anunciou que o Estado excluiu da área de “utilidade pública” 4,8 milhões de metros quadrados, correspondentes às localidades de Água Preta e Mato Escuro, onde reside a maioria dos agricultores de pequena escala. Bueno assumiu ainda quatro compromissos: não haverá desapropriação antes de concluído o Diagnóstico Socioeconômico; as desapropriações, caso ocorram, deverão levar em consideração todas as alternativas para os moradores; qualquer desapropriação será realizada com preço justo e por último, se não houver entendimento, não haverá desapropriação.

Cerca de mil pessoas participaram do encontro que aconteceu em um sítio às margens da Estrada do Galinheiro, uma das principais vias de acesso ao porto do Açu. Os decretos editados pelo governo estadual tornam as “áreas de utilidade pública” em razão da necessidade apresentada pelo empreendedor de edificar um condomínio industrial para onde estão previstos uma termelétrica, duas siderúrgicas, montadora de automóveis e empresas do setor metal mecânico, além de seis usinas para pelotização do minério de ferro que chegará ao porto por meio de um mineroduto com 525 quilômetros de extensão desde as lavras em Minas Gerais.

A polêmica em relação aos decretos estaduais é que neles foram relacionados os nomes de propritários de terras cujas áreas poderiam ser desapropriadas. Entretanto não houve qualquer informação do Estado a esse respeito. A prefeita Carla Machado disse ainda que em maio foi assinado um protocolo no qual o governo se comprometia a editar o decreto de “utilidade pública” somente após realizado o Diagnóstico Socioeconômico, o que não foi cumprido. Júlio Bueno admitiu o erro e garantiu que nada será feito sem a participação da prefeitura e os moradores da região.

Bueno afirmou que o empreendimento do Açu, o maior do setor privado no Brasil, é fundamental para a nova planta industrial do Estado. Ele acredita que junto com outros empreendimentos em curso será possível modificar o perfil produtivo do Rio de Janeiro, mas concordou que o progresso não pode estar acima das pessoas: “nós queremos o desenvolvimento, mas não podemos abrir mão dos nosso ativos naturais e das pessoas”, disse. Para o subsecretário de Obras do Estado, Vicente Loureiro, que também participou da reunião, São João da Barra tem pela frente uma grande oportunidade, contudo é preciso haver desenvolvimento sustentável e planejamento para que haja o mínimo de interferência na vida dos moradores. “O governo do Estado está empenhado em construir a melhor alternativa para São João da Barra”, afirmou.

Membros de uma comissão de moradores e produtores rurais, responsáveis pela organização da reunião apresentaram um vídeo no qual produtores rurais mostram que cultivam a terra e vivem da produção agrícola. Marcela Toledo, coordenadora da Comissão Pró-Terra lembrou que a vida de muitas pessoas está em jogo. Carla Machado, que cumpre seu segundo mandato, afirmou que a construção do Complexo do Açu é um caminho viável e possível ao desenvolvimento e que muitos municípios brasileiros gostariam de receber um empreendimento como esse, mas enfatizou que o município “não abrirá mãos do produtor rural e das pessoas”.

Foto: Paulo Sérgio Pinheiro/Secom PMSJB



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