Cinco perguntas para…

04abr08

santoro-4.jpgLuiz Santoro é o que se pode chamar de polivalente. Além de professor de Química é jornalista, mas desempenhou múltiplas atividades: diretor e dono de colégio, apresentador de telejornal, dono de produtora, marketeiro de vitoriosas campanhas políticas – bem antes de existir Marcos Valério e quando isso ainda era uma coisa séria, e diretor de Universidade, só para citar algumas. Sempre com um projeto, sempre realizando alguma coisa a mais, com uma idéia nova e extremamente ligado à família, como todo bom italiano, é o tipo que se pode dizer, que anda de bem com vida. Eventualmente fica zangado ou indignado, especialmente com alguma injustiça. De mau humor, nunca.

Aliás, Santoro é daqueles que possuem uma característica muito interessante: consegue transformar em engraçados aqueles momentos teoricamente desfavoráveis. Certa vez, quando esperava para receber o pagamento de um cliente, visivelmente irritado com o atraso de dois ou três meses, soltou uma: “se esse cara não me pagar hoje, no próximo comercial com ele vou colocar umas barras na tela que vai parecer que está preso. Depois que se explique com quem tiver que se explicar”. Quando ouviu do mesmo cliente uma reclamação de que “a imagem estava desgastada porque vinha aparecendo demais na mídia” respondeu de bate-pronto: “claro, o comercial tem 30 segundos e você quer aparecer por meia hora”.

Lógico que a ética, patente em seu trabalho, jamais permitiria inserir na tela as tais “barras”, mas – no jargão popular – “vender o almoço pra comprar o jantar” nunca foi seu forte. “Falo o que penso, na hora que considero necessário”, me disse uma vez esse italiano extrovertido e afável, que “fala” não só com a boca, mas também com as mãos e cujo senso de humor é uma marca permanente. Competência e seriedade são dois de seus pontos altos, mas não o convidem para falar sobre futebol. É vascaíno doente. Tudo bem, todos temos os nossos defeitos.

Atualmente Santoro apresenta um programa semanal de entrevistas na WTN – Web Television Network. Segue a mesma linha de sempre: entrevistas inteligentes com gente que tem o que falar, causos para contar e se possível, com bom humor.

Divirtam-se:

Blog: Santoro, quantos anos de estrada e como foi o começo?

Santoro: Sou professor de Química por formação acadêmica. Dei aulas no Rio e em Brasília. Cheguei a ter oito colégios aqui no Rio e em Brasília, fui professor do Objetivo, onde ao apresentar um programa sobre vestibular, me convidaram para ser o apresentador do jornal local da cidade, pela TV Nacional. Dois meses depois, o Jornal Bandeirantes passaria a ser apresentado por três praças: São Paulo, Rio e Brasília. Joelmir Beting e Ferreira Martins, em Sampa; eu e Castelo Branco, em Brasília e Newton Carlos e Ronaldo Rosas, no Rio. Fiquei lá até ir pra a Manchete, e daí para o mundo!

Blog: Qual a diferença que você vê entre fazer televisão hoje e na época em que você começou? Há quem diga que acabou o romantismo no jornalismo, você crê nisso?

Santoro: Não acho que acabou o romantismo, não. A diferença é a agilidade em função da tecnologia. Quando eu comecei em TV, a leitura era feita no papel. Teleprompter só na Globo. Na Manchete o TP era numa esteira onde se colocavam os textos escritos em máquina elétrica – um luxo para a época; não existia fax, as notícias chegavam via telex. Quer dizer, tudo evoluiu, e isso é bom. A investigação dos fatos é mais às claras. Garanto que com os recursos de hoje, a Escola de Base – que foi escandalizada como uma escola paulista que seviciava e abusava de menores – não teria tido o desfecho daquela época. Hoje se apura mais, se vai mais fundo. Ou você acha que nunca roubaram, trapacearam ou mentiram nos outros governos? Todos mentem, a diferença é que este aí diz que não mentia… Lembra do ministro Recúpero, que ao vivo, falou tudo ao contrário do que professava? Tecnologia ou puxada de tapete? Trapaceiro, hoje, dura pouco como bom moço.

Blog: Você partiu para uma empreitada ousada: uma televisão na internet. Como tem sido o resultado, levando em consideração que no Brasil o acesso ainda não é universalizado e que a maioria das pessoas não possui banda larga? Você faz uma televisão para a classe AA?

Santoro: É meio assim. A WTN é uma empreitada nova, um desafio que alguns, como eu, resolveram topar. O futuro é a internet. Não tem jeito. O Brasil ainda está muito atrasado, por pressão de grupos estrangeiros que descarregam aqui os produtos que ficam obsoletos nos seus países. Haja vista que a banda larga pública nos EUA – isto é, que ninguém paga e é weireless, sem fio – é de 25 Mega. Cáspite! No Brasil, pagando, você tem, no máximo, oito Mega. Mas a nossa hora vai chegar e a deles já está começando a acabar! O futuro é a TV: internet, telefone e outras traquitanas juntas num só aparelho. Para nós, terceiro-mundistas, é difícil imaginar, mas será assim. Só espero estar vivo, consciente e no ar para ver isto… Hahahahaha…

Blog: Existem outros projetos em vista ou por enquanto vai ficar só com a WTN?

Santoro: Jornalista, professor ou publicitário que disser que não tem projetos em vista ou em andamento, é mentiroso. Claro, muitos! A vida é feita de desafios e a toda hora ela se apresenta para mim, pelo menos, perguntando se eu topo o próximo. E eu topo todos! Em breve, te digo o que está surgindo.

Blog: Com certeza você tem muitos fatos engraçados para contar. Eu sempre peço que meus amigos contem um, mas pode ser mais de um também, fique à vontade.

Santoro: Vinte e cinco milhões… mas, só vou te contar dois:
Eu estava apresentando o Jornal da Manchete Primeira Edição – eu era o titular do Segunda Edição, que ia ao ar por volta das onze e meia, meia-noite. Eu estava substituindo o Carlos Bianchini, de férias. Como não sou normal e o outro apresentador do Primeira Edição – o Ronaldo Rosas – também não era, surgia todo tipo de brincadeiras que você possa imaginar. Ao final do jornal, quando são desligados os microfones dos apresentadores, eu e o Ronaldo falávamos o que Deus duvidava! Palavrões aos montes, xingando ou dizendo besteiras pro pessoal do estúdio. Nesta época, não existia fax, internet ou qualquer destas maravilhas modernas. E a direção da Manchete recebeu uma carta de um senhor surdo e mudo, que por sua deficiência, lia os nossos lábios, quando falávamos aquelas besteiras todas. Contou que dizíamos os maiores impropérios, assim que o jornal terminava. Isto é, nos entregou de bandeja. Chamados à direção, negamos tudo veementemente, mas naquela noite… o final do nosso jornal foi “todo” dedicado ao mudinho:
– Mudinho f.d.p.!
– Mudo corno!
– Tua mãe tá na z…
– Dedo-duro veadinho!!
A Manchete era um manancial de casos gozados. Certa vez, nosso editor-chefe mandou o Joaquim, o boy da redação, buscar para ele, no Colorbar, um bar que existia ao lado da emissora, um misto quente, uma Coca-cola e um “suco de clitóris”. Ao chegar no bar, quem atendeu foi a mulher do portuga, um patrício mau encarado e mau humorado. E o boy pediu com todas as letras e alto:
– Ô Dona Maria, me veja aí pro meu chefe, um misto quente, uma Coca e um “suco de clitóris”.
E a portuguesa:
– Ó, Mó filho, Tenha mais “bergonha” na sua cara que sou mulher direita…
E o portuga mau humorado:
– Seu f.d.p., sem vergonha, vou te enfiar a purrada…
O garoto sem entender nada, volta à Manchete e conta o que aconteceu no meio da redação. Gargalhada geral.
O editor explicou a ele o que era clitóris, e desta vez, pediu:
– Então, vá lá agora, e peça um misto quente, uma Coca-cola e um “suco de cupuaçu”.
E o garoto:
– O senhor está louco! Dessa vez, não!
Histórias não faltam, e é por isso que estou escrevendo livros sobre as empresas por onde passei. É isto aí. Sempre que precisarem, estou aqui. Baci a tutti.

NOTA: Por conta da minha conexão com a internet, que anda a “passos de cágado”, como diriam Marcos Martinelli e Marcelo Antunes, só foi possível postar uma minifoto do Santoro, embora tenha retirado bons frames da entrevista realizada nesta semana. Por isso, peço desculpas aos leitores, que poderão vê-lo diretamente no WTN Entrevista, nos links colocados ao longo dessa nossa conversa por e-mail.

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3 Responses to “Cinco perguntas para…”

  1. 1 João Neto

    vitor, nem adianta reclamar que o cara é vascaíno. até agora vc só estrevistou vascainos: santoro, japiassu e ate o juca… hahahahaha…
    gostei da entrevista. morri de rir com a historia do boy da teve manchete.
    abçs.

  2. 2 Pedro Carlos

    Interessante essa vida no jornalismo, cativante. Excelente dica de programa. Depois que li a entrevista fui assistir aos programas da WTN e transformou-se em uma opção até mesmo porque posso assistir em qualquer lugar que houver uma conexão com internet. Muito bom mesmo. Parabéns pelo blog.

  3. 3 Sheryl

    What a stuff of un-ambiguity and preserveness of valuable know-how
    concerning unpredicted emotions.


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