O ser e suas consequências

13out12

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Somos a consequência de nós mesmos, ou seja, de nossos próprios atos. Constatei isso aos 10 anos, quando um dia, ao jogar bola na rua com meus amigos, ignorei os conselhos de minha mãe para usar tênis e estourei o dedão do pé esquerdo. Voltei para casa com a unha pendurada e o dedo ensanguentado. Passei dias sem poder jogar bola, calçando com dificuldade e torcendo para que ninguém pisasse no dedo arrebentado. Porém, continuei jogando descalço, tomando os cuidados necessários para que o fato não se repetisse. Daí me veio outra constatação: experiência é tudo e as mais dolorosas são também as mais marcantes.

Estou escrevendo isso porque há muito tempo cheguei a uma conclusão lógica: vivemos diariamente dilemas e dicotomias. Ao mesmo tempo em que pensamos em fazer algo, algo inesperado pode nos levar para outra rota. Buscamos atalhos e muitas vezes encontramos desvios bem mais longos do que esperávamos, nem sempre mais fáceis. Os obstáculos se colocam à nossa frente. E daí que se chega à outra conclusão: é preciso haver foco, objetivo. Sem isso, nada feito. A vida gira em torno de algumas leis da Física e da Matemática, quase simples assim, como a lei da ação e reação, por exemplo. Em alguns momentos a reação é chamada de consequência.

Já a Matemática está relacionada a nós, ao nosso cotidiano, em diversas representações. Uma das mais evidentes é que podemos ser vistos ou vivermos como um conjunto unitário. Porém, na verdade, somos um conjunto formado por milhares de outros conjuntos: biologicamente somos um conjunto de células; pela visão da Química, um conjunto de elementos e componentes, como H20, que compõe 80% do nosso organismo; pela Física, somos um conjunto de peso, massa e movimentos; a História nos prova que somos um conjunto de nossas decisões; a Geografia nos situa em algum lugar, nos tornando estatística de outros conjuntos. E por aí vai.

O problema do ser humano é que ele se impõe limites. E quando há limites, tudo fica mais difícil. Não que não haja necessidade de se delimitar alguns conceitos, claro que sim. Porém, ficar atado a eles sem conseguir olhar o todo, impede que se prossiga o caminho como se deseja. Quem mais usa a Matemática com olhos para os conjuntos infinitos, ou seja, quem não se impõe limites muito rígidos, tende a avançar mais. Quem se prende demais a pré-conceitos, tende a ser mais restrito em seu caminhar. Entretanto, tudo depende dos objetivos.

Outra coisa que precisa estar alinhada são os conceitos e a prática. Teoria e execução devem, ou deveriam caminhar juntas. A demonstração da eficácia dos conceitos é fundamental para a vida. Einstein obteve sucesso, assim como Newton, porque conseguiram enxergar além dos que todos em sua época e comprovaram. Platão, Sócrates e outros pensadores continuam “vivos”, porque suas teorias foram testadas ao longo do tempo, embora pudessem ser contestadas em sua época. Assim como eles, os sofistas, que continuam por aí, também conseguiram provar que uma boa “conversa” é capaz de enganar a muita gente, porém, não o tempo inteiro.

O simples fato de “ser”, já é uma consequência que vai gerar outras. Ser um “Ser”, com maiúscula, simplesmente, já é uma consequência de algo. Tudo na vida está encadeado, assim como nada acontece por acaso. O livre arbítrio nos dá a possibilidade de escolhermos, mas nem sempre, há mais de duas opções. Os caminhos, em geral, são divididos por bifurcações, não por encruzilhadas, pelo simples fato de que quando há mais do que duas opções as chances de acerto são reduzidas a um quarto das possibilidades. Então por que reclamar, se as nossas chances, na maioria das vezes são de 50% de acertos? É uma questão de ponto de vista. Alguém menos otimista, ou eu mesmo, em algum momento, posso pensar que na verdade tudo tem 50% de chance de dar errado.

Risco todo mundo corre. Para tudo na vida há um risco e o que se precisa é saber administrar os riscos; risco calculado. Quando se atravessa a rua com o sinal fechado, há um risco mínimo de ocorrer um problema, correto? Pode ser, mas depende do ponto de vista, das condições climáticas, da sua própria disposição para que esta ação simples e rotineira dê certo. Atravessar a rua com otimismo significa que você o fará com a cabeça erguida, atento a qualquer imprevisto, passos firmes, sem se apavorar com esse ato simples. Daí que se no sentido contrário vier alguém correndo, meio atônito, olhando para o sinal vermelho torcendo que ele não abra no meio do caminho e sem perceber a sua presença, você ainda terá tempo de desviar, ou mesmo ajudar aquele que por algum motivo leva consigo certo medo, receio ou apavoramento.

Então, mesmo que tudo não esteja 100% certo, mesmo que haja indicativos de erro, mesmo que a vida não esteja andando como você calculou, mesmo que seus atos tenham sido aparentemente errados, dissonantes ou controversos, mesmo que suas certezas tenham sido pulverizadas com o tempo, assim como as minhas e as de muitos, mesmo que a Bolsa tenha caído, mesmo que o saldo bancário seja insuficiente, mantenha sempre em você mesmo um fio de esperança, contido em todos os fundamentos: nada é definitivo, a não ser a morte. Nada é para sempre, a não ser que você permita; tudo é possível desde que você planeje e execute. Acaso é apenas uma palavra contida no dicionário, não uma consequência de seus atos.

Aprenda com os erros, busque reduzir a margem de erro, não exceda nas cobranças pessoais e nem de seus semelhantes, não pense ser o exemplo martirizado, não margeie a sua própria vida, conduza-a. Mesmo que aos olhos do mundo não pareça correto. Seja feliz acima de tudo e qualquer coisa, sem ser um bobo alegre. Ser feliz não quer dizer rir de tudo, em todos os momentos. Quer dizer que você aceita a si próprio, como você, com suas falhas e virtudes, que você encara, reconhece e aceita a possibilidade de tudo na vida ter um “efeito dominó” e que sua virtude principal é viver!

 

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